Translate the blog to your language!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Além do Esporte, além do marcial

ALÉM DO ESPORTE, ALÉM DO MARCIAL

Guilherme Fauque

deshiLendo o livro Deshi de John Donohue, veio-me a mente uma temática interessante que sempre me trouxe muitas reflexões; ou seja, a questão do porquê de praticarmos artes marciais quando poderíamos estar fazendo jogging, yoga, aeróbica, puxando pesos ou qualquer outra atividade física. Enfim, por que artes marciais?

Ora, esta pergunta pode parecer extremamente inócua para um jovem praticante, mas não para um alguém que já está com uma idade mais avançada e ainda assim prefere artes marciais a qualquer outro esporte.

Talvez a melhor forma de começarmos a tratar deste assunto seja procurando entender as distinções entre o esporte e aquilo que compreendemos realmente como arte marcial.

Comecemos, então, partindo de uma premissa aparentemente inflexível, mas realista: Arte marcial não é esporte! Certamente que podemos utilizar a sua prática como um esporte, o que é bem diferente. Mas, dizer que a arte marcial, em si, é um esporte, configura-se num erro grotesco de definição e de compreensão do cerne das artes marciais. Veja bem, se tirarmos um copo d’água de um rio, este copo d’água não será o rio, embora tenha a presença deste na sua essência. Mas, ao colocarmos esta água novamente no rio, ela se funde a este e passa a ser parte integrante do mesmo. Da mesma forma é com a arte marcial. Podemos tirar uma parte dela para configurar um esporte, como faz perfeitamente o Taekwondo, o Judô e algumas ramificações do Karatê. Contudo, esta parte, em si, não se configura totalmente a arte marcial, pois são objetivos diferentes. Como esporte, o Judô, por exemplo, precisa restringir-se a determinadas regras que procuram preservar o atleta e o seu adversário. Na arte marcial o mesmo não acontece. No esporte, busca-se como fim a vitória sobre o oponente para se chegar ao pódio e conquistar o campeonato. Na arte marcial, além da defesa-pessoal, busca-se a vitória sobre si mesmo, buscam-se as virtudes e a essência de um homem melhor. No entanto, não são dois caminhos excludentes. Assim como a água no copo não deixa de ter a essência do rio, a arte marcial como esporte não deixa de ter a essência do Budo.

yamasakyaraigasshoAssim, fica claro que a arte marcial não se configura como um simples esporte, mas sim com um caminho mais profundo, onde se configura um verdadeiro modo de viver. Ora, certamente que um jovem poderá se satisfazer com a busca do esporte na arte marcial, outros, ainda irão preferir a busca da defesa pessoal, da luta em si. No entanto, o praticante “veterano” não se satisfaz mais somente com a defesa pessoal, com o esporte, com a luta em si. Estes aspectos são fugazes e se perdem juntamente com a vitalidade física. No filme Ip Man 2, o personagem homônimo tenta convencer um de seus alunos, que o vê como um mestre capaz de lutar com 10 homens ao mesmo tempo, de que após uns 10 ou 15 anos, ele será um velho que facilmente poderá ser vencido por um jovem como ele. Com isso, Ip Man queria alertar seu aluno que a força física e a habilidade em combate não podem ser os únicos parâmetro para a prática marcial. Algo mais tem que existir que impele o praticante veterano a toda esta dedicação.

Com isto, apresenta-se a nós outro parâmetro, que brevemente já introduzíamos acima, quando afirmávamos haver, além de tudo, um modo de viver. Este parâmetro é prática da arte marcial como um Budo, ou seja, buscando a união do aspecto marcial, o Bu, com o caminho, o Do, que está sedimentado naquilo que os orientais chamam de Zen, ou Tao. Desta forma, o objetivo da prática transpassa o puramente marcial, transpassa o esporte e sedimenta-se no bem-viver humano, na busca da vida ideal, da vida feliz.

Mas, voltando ao livro Deshi (DONOHUE, p.31. 2005), vejamos o trecho que, particularmente, achei deveras inspirador:

Coisas diferentes são importantes para pessoas diferentes, contudo todos nós estamos buscando alguma coisa. Passei muito tempo treinando com pessoas que aparentemente estavam interessadas na luta. Mas é mais complexo do que isto. Ao rasparmos a superfície, vemos que todos nós buscamos uma dimensão mística mal-definida para a existência.

Estas palavras do personagem principal mostram que buscamos algo mais, algo que está além da superfície externa, algo que muitas vezes ainda está “mal-definido”, mas que os grandes mestres conheciam bem. Basta relembrarmos a história de vida de grandes artistas marciais como Doshin So, Funakoshi, Morihei Ueshiba e veremos que o objeto de busca sempre foi muito mais profundo do fica aparente aos olhos do leigo ou do iniciante.

5195samuraiSeguramente a arte marcial nos dá esta possibilidade de buscar a formação de um homem melhor, aspecto que a simples pratica da atividade física esportiva não pode e nem tem a pretensão de nos dar. O que não exclui, certamente, que possamos galgar os outros aspectos, cada um a seu tempo, num sábio equilíbrio. O esporte é importante, a defesa-pessoal é fundamental, mas a busca real do Budo é imprescindível! Não esqueçamos o que realmente é a arte marcial.

domingo, 6 de junho de 2010

DESAFIOS

DESAFIOS

Guilherme Fauque

sumo-kid1 Certa vez Sócrates, grande filósofo grego, disse que uma vida sem reflexão não merece ser vivida. O mesmo diríamos de uma vida sem desafios. Os desafios são a dinâmica da vida e a todo momento temos que enfrentá-los. Desde os primeiros contatos com outros seres sentimos-nos desafiados a abandonar uma posição comoda e interagir, aprendendo a ceder espaço quando tudo o que queremos é manter atenção em nós. Aliás, dizem alguns pensadores, que a própria concepção já foi o primeiro e grande desafio que enfrentamos, ao vencermos a corrida dos espermatozódes na fecundação do óvulo.

De qualquer forma, os desafios são uma constante em nossas vidas e dão a ela um tempero especial. A conquista nos impulsiona, a derrota nos ensina; no entanto, sempre avançamos, nunca estagnamos. Saber encarar estes desafios com confiança, temperança e coragem, nos faz seres humanos melhores.

SumoKid_450x532 Como praticantes de artes marciais, compreendemos que os desafios nos fortificam e calejam nosso corpo e nosso espírito, nos tornando seres humanos que buscam as virtudes para o crescimento pessoal e da humanidade. O verdadeiro artista marcial estende a mão ao companheiro, pois sabe que ninguém caminha por esta vida sozinho, afinal, vivemos em sociedade e nela encontramos os desafios que nos impulsionam a buscar a felicidade. Ser compassivo e equilibrado no claustro de um monastério, ou no topo do Himalaia, é simples, desafiante mesmo é ser compassivo e equilibrado em meio ao caos urbano de uma cidade grande, no trânsito caótico da hora do rush...

wresting_whos_the_strongest Os desejos e as paixões movimentam nosso eu como um barquinho em meio a um mar revolto, nos levando hora para cá, hora para lá. Por isso, Baruch Spinoza, grande pensador moderno, dizia que somos naturalmente “seres apaixonados”, ou seja, somos movidos pelas paixões. Algumas destas paixões nos puxam para baixo, para situações desagradáveis, outras nos puxam para cima, para situações virtuosas. Estas últimas ele chamou de afecções. Tanto um quanto o outro não nos deixam viver na estagnação, mas nos apresentam constantes desafios que dão sentido a nossa vida e nos movimentam neste mar revolto que é a vida. E o maior de todos os desafio está em aprendermos a viver movimentando-nos em direção a perfeição da Natureza, transformando nossas paixões em afecções, ou seja, vivendo de forma a buscarmos as virtudes das paixões positivas (afecções) para sermos pessoas felizes e realizadas.

Por isso, não nos deixemos esmaecer perante os desafios, não fujamos destes. Mas, os enfrentemos com a consciência de eles são necessários e desejáveis para a nossa vida.

sábado, 5 de junho de 2010

NÃO-VIOLÊNCIA – NON VIOLENCE

NÃO-VIOLÊNCIA E ARTES MARCIAS

Uma relação viável?

Guilherme Fauque

                        A pessoa, a pessoa, a pessoa – tudo depende da qualidade da pessoa.

Doshin So

MMALAW not Mixed Martial Arts Quando falamos em artes marciais, logo nos vem à mente aquelas cenas de luta dos filmes de Artes Marciais, bem como os famosos torneiros de MMA (Mixed Martial Arts), recheados de pancadaria e sangue. A partir desta perspectiva associamos as artes marciais à violência da luta corpo-a-corpo e seu objetivo com o de, tão somente, dominação física sobre o oponente. Aliás, esta é a busca inicial da grande maioria dos praticantes ao adentrar em uma acadêmica. Com uma compreensão distorcida do que impulsiona o verdadeiro Budo, o praticante acredita que o único objetivo é dominar o outro através da opressão violenta, como uma busca de auto-afirmação as avessas.

Certamente que uma busca inicial de melhoramento da autoconfiança é um objetivo aceitável e necessário. Não obstante, o problema está quando este ideal inicial transforma-se numa busca de auto-afirmação violenta perante as outras pessoas, levando a uma compreensão errônea, por parte do praticante, e uma visão distorcida por parte dos não-praticantes. Pior ainda quando esta compreensão errônea do binômio agressividade e violência persiste até faixas-pretas, que sem a mínima compreensão filosófica de suas artes, tornam-se grandes divulgadores desta concepção enganosa.

kidsSabemos que a agressividade é parte integrante das artes marciais, aliás, como já dizia Freud, do próprio ser humano. Quando nos relacionamos com os outros, principalmente quando este outro é um estranho, fala outra língua, tem crenças e pele diferentes, sentimos um natural estado de insegurança e inquietação. Esta insegurança leva a um sentimento de disputa e de auto-afirmação que se não for educado, pode muito bem partir de uma natural agressividade de conquista para uma atitude violenta determinada por um egoísmo que exige um amor exclusivo para si. Podemos facilmente ver isso nas crianças pequenas, quando esta deseja o brinquedo da outra mesmo que, depois de conseguir, jogue este brinquedo em um canto sem dar a menor importância. Afinal, o que importava não era o brinquedo, mas uma necessidade psicológica de assertividade.

Não obstante, é importante compreendermos que a agressividade é uma força de combatividade que nos faz ser assertivo diante das outras pessoas e nos impulsiona a enfrentar os desafios que a vida social nos impõe. Sem ela, estaríamos constantemente fugindo de qualquer ameaça feita pelos outros e seríamos incapazes de vencer nossos medos e superá-los.

Contudo, não podemos confundir essa agressividade com a violência, que é apenas uma expressão desta e não é inerente ao ser humano. Certamente não é uma necessidade da natureza que a agressividade se manifeste como violência. Na verdade, compreendemos que “a violência não passa de uma perversão da agressividade”, como nos diz Jean-Marie Muller. (2007, p.32).

karate_kid_bowingA violência é sempre negativa, nunca positiva. Não existe violência boa e violência má, isto é uma confusão nos termos e uma maneira de justificar atos violentos. A agressividade, juntamente com o uso da força e de determinados limites, nos impulsiona à criação de regras, leis ou pactos, que nos permitam uma boa e mais justa convivência. A violência, por outro lado, é uma quebra destas regras. Neste momento, a necessidade de assertividade passa para um estado de violência provinda de um desejo ilimitado que acaba colidindo com os limites do desejo dos outros. Daí a importância da educação, da disciplina e da busca das virtudes.

OSENSEI1 Se observarmos a história dos grandes mestres das artes marciais, fica claro que sempre se buscou uma força além do puramente marcial, isto é, uma força que não é unicamente física, mas a verdadeira força que fundamenta-se na aspiração de uma autêntica autotransformação. Para isso passa-se, certamente, por fases de desenvolvimento físico e espiritual.

No filme Ip Man 2, estrelado por Donnie Yen e dirigido por Wilson Yip, vemos uma cena muito significativa ipman_2quando o mestre Ip Man tenta fazer com que um de seus discípulos, cuja agressividade desprovida de limites o leva a atos impulsivos, compreender que a arte marcial vai além da capacidade combativa. Nesta cena ele diz que embora agora seja capaz de derrotar vários homens, depois que estiver velho poderá ser facilmente derrotado, pois seu corpo já não terá mais a mesma vitalidade. Esta é uma observação sábia! Ora, de que adiantaria focalizar todos os nossos treinos somente na busca do desenvolvimento da força física? Por isso Doshin So, fundador do kaiso (1) Shorinji Kempo, afirmava que o aprendizado deveria objetivar a busca da força verdadeira, que transcenda a utilização unicamente da força física, mas que englobe juntamente a força espiritual, desenvolvendo um “eu” confiável e seguro de si, em outras palavras, o treinamento do corpo e da mente em conjunto (shinshin ichinyo).

Quando buscamos o desenvolvimento físico e espiritual em conjunto, consequentemente desenvolvemos um sentido de não-violência, embora compreendamos a necessidade da agressividade como mola impulsionadora da ação de busca. E isto está exposto na própria palavra japonesa para arte marcial: o Budo. Se observarmos a significação do ideograma chinês Bu (武), atribuído ao marcial, vemos que o mesmo é composto de dois caracteres que significam “lança” e “parar”. Portanto, o “marcial” ou “Bu” tem o sentido de parar um conflito (a lança), utilizando a força e agressividade como ferramentas numa busca não-violenta.

Desta forma, acredito que a arte marcial, quando trabalhada com consciência e responsabilidade, é uma ótima possibilidade de desenvolvermos virtudes como a compaixão, a autoconfiança e o equilíbrio, tão necessárias para a construção de um homem melhor, tanto social quanto individualmente.

gasho rei O verdadeiro artista marcial não é violento. Aqueles que utilizam a arte marcial para a violência, certamente não entenderam o sentido real desta e, talvez estejam buscando se auto-afirmar através de atitudes desvirtuadas que os afetam, assim como também aqueles que não têm a capacidade de se defender, de forma completamente negativa. Ora, o caminho adequado, reforçamos, está na busca da verdadeira força, aquela que une corpo e espírito numa busca de autotransformação, objetivando a formação de um homem melhor, virtuoso e útil a sociedade.

REFERÊNCIAS

MULLER, Jean-Marie. Não-violência na educação. São Paulo: Palas Athena, 2006.

FREUD, Sigmund. O Mal-estar na Civilização. [online] Disponível em <http://www.opopssa.info/Livros/freud_o_mal_estar_na_civilizacao.pdf> Acessado em: 04 de Jun. 2010.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Deixe as lágrimas e a alegria surgirem espontaneamente.

Kung fu Uma das primeiras virtudes que temos que aprender, principalmente quando estudamos artes marciais, é a temperança. Há muito atrás, Buda já nos ensinou que o equilibrio é fundamental para a vida humana e lançou o famoso Caminho do Meio. Dizia ele, se você apeartar demasiadamente a corda da cítara, ela rebentará, mas se deixar frouxa demais, não sairá som algum.

Em nossas vidas é a mesma coisa. Precisamos ter equilibrio em nossas ações. A arte marcial nos proporciona uma eficiente busca de equilibrio, ensinando-nos que, apesar da disciplina imposta, ela serve para nos ensinar a viver mais plenamente.

Neste breve vídeo da série Kung Fu de David Carradine, esta lição está evidente na capacidade de deixar fluir a alegria e a tristeza equilibradamente.

 

English Version

 6132E0_1 One of the first virtues that we must to learn, mainly when we are studying martial arts, is the temperance. A long time ago, Buddha already teached us that balance is fundamental to human life and so give us the famous Middle way. Said us: if you stretch far the chord of cítara, it will burst. But if you let loose quite, it will not give anything sound.

In our lives it is the same thing. We need balance in our actions. The martial art provide us an efficient search of balance, teach us that, despite of discipline imposed, it serve to teach us to live more fully.

In this brief video of the serie Kung fu by David Carradine, this lesson is evident in the capacity of let go the happiness and the sadness from a balanced manner.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

A Paz acima da Vitória – Kung Fu wisdom

word_kung_fu1Ah, o velho e bom seriado Kung Fu, com David Carradine, deixou muitas marcas. Certamente que as cenas de luta não chegam a qualidade dos filmes atuais de Donnie Yen, Jackie Chan, etc. Mas a parte filosófica é incomparável. Não vi nada do tipo ainda.

 

English Version

david carradine Oh, the old and good series Kung Fu, with David Carradine, left us quite impressions. Certainly the fight scenes have not the same quality of current movies by Donnie Yen, Jackie Chan and so on. But the philosophical part is peerless! I don’t see anything like this yet.

 

 

VÍDEO

quarta-feira, 12 de maio de 2010

WING CHUN

Uma arte marcial que tenho muita admiração e que treinei por alguns anos é o Kung Fu Wing Chun. Acho fantástico o trabalho com os braços, com rápidas defesas e ataques.

O Wing Chun tem uma história muito interessante, pois foi uma arte marcial criada por uma mulher, coisa rara de vermos no meio marcial,  e teve ilustres mestres como o famoso Yip Man e seu discípulo Bruce Lee.

Quando me sobrar um tempinho escreverei um pouco sobre a história do Wing Chun. Por enquanto, fiquem com este video muito interessante.

===========================//==========================

ingl~es 

English Version

 

A martial art that I have a great admiration and which I practiced for some years was the Kung Fu Wing Chun. I think fantastic the work with hands and arms, with fast defense and attacks.

Wing Chun have a great history, because was a martial art created by a woman, and this is a rare thing among martial arts, and it had illustrious masters as the famous Yip Man and his disciple Bruce Lee.

When I have a little more of time left I will write about the history of Wing Chun. For while, stay with this very interesting video.

VIDEO PROMOCIONAL BRANCH SAN FRANCISCO

Olá amigos!

Hoje assisti  um video promocional do Branch de San Francisco que achei muito legal. Um video muito bem feito e que transparece, entremeio as técnicas, a atmosfera de companheirismo e amizade que reina em um Dojo de Shorinji Kempo.

==========================//==========================

english version  

  English Version

Hi friends!

Today I watched a promotional video of the branch of San Francisco that I found very cool. A video very well done and that transpires, together with the techniques, an atmosphere of fellowship and friendship reigning in a Dojo of Shorinji Kempo.

sábado, 1 de maio de 2010

FILOSOFIA DO KAISO


Só as palavras não bastam


No outro dia, num jornal estava uma história acerca de uma criançaoriginator_img01.344204806_std que se afogou. A criança que brincava com ela correu para o meio da estrada e com as mãos no ar suplicou por ajuda. Para não o atropelarem, os condutores obviamente pararam, mas nem uma só pessoa se dignou a ajudar e tentar salvar o seu amigo.

Histórias como esta enchem os nossos jornais todos os dias! No trem, a caminho do trabalho, alguém pode estar agindo mal, mas todos fingem não estarem vendo.

“Não é problema meu”. “Se me envolver, vai sobrar para mim”.

Com este tipo de pensamento, não há sequer uma hipótese de que o mundo melhore. Apenas por se dizer “oh, coitadinha da criança” ou, “como podem fazer uma coisa dessas?”, nada se resolve. As palavras por si só não chegam, talvez seja o necessário tentar fazer alguma coisa.

Doshin So — No Seminário de lnstrutores, Outubro de 1969

--------------------------------------//--------------------------------------

ingl~es 

English Version:

Words Alone are Not Enough

 doshinso teatching The other day in the paper there was a story about a child who drowned. The child who was playing with him ran out into the street and raising his hands begged for help. It was out of the question for the drivers to knock him off the road so thy stopped for him, but not a single person would help and save his friend.

Stories like this fill the papers every day! On the train going to work someone will be acting up, but everyone pretends not to see. "It's not my problem." "If I get involved, there'll be trouble."

With this kind of thinking, there's not even a chance that the world will improve. Just by saying, "Oh, that poor child," or, "How can they do such a bad thing?" nothing is solved. Words alone are not enough, but perhaps trying to do something is what's needed.

(At the Instructors Seminar, October 1969)

quinta-feira, 29 de abril de 2010

SHORINJI KEMPO: CONSTRUINDO UM HOMEM MELHOR

SHORINJI KEMPO

CONSTRUINDO UM HOMEM MELHOR [1]

Guilherme R. Fauque[2]

502px-Nagasakibomb Ao final da Segunda Grande Guerra, juntamente com a dolorosa derrota resultante dos covardes ataques nucleares sobre Nagasaki e Hiroshima, em agosto de 1945, o Japão declinou para um estado de tristeza e apatia moral. Neste mesmo ano Doshin So, residindo, então, na Manchúria (região nordeste da China), viu-se obrigado a ficar nas terras chinesas durante um ano, devido à invasão das tropas russas no local, presenciando a miséria e o sofrimento de um povo derrotado. Ideologias, religião e conceitos morais de nada importavam ao opressor. Tudo parecia reduzido à capacidade de um povo em se organizar para matar e derrotar outro povo.

SO DOSHIN Ao voltar para sua pátria, em 1946, Doshin So deparou-se com um povo profundamente abalado em suas bases. A moralidade e a compaixão eram valores inexistentes e cada pessoa lutava por suas próprias necessidades, ignorando completamente o sofrimento dos seus compatrícios. A violência e a injustiça permeavam as ruas japonesas diante dos olhos públicos, que nada faziam; o caos imperava e as esperanças num futuro melhor, vistas agora como meras utopias, eram soterradas pelos prazeres e recompensas momentâneas. Esta era a situação do Japão pós-guerra que Doshin So encontrou no seu retorno.

Diante desta absurda e caótica situação, Doshin So pensou numa maneira de ajudar o seu povo e reconstruir suas bases, dando esperanças aos jovens na obtenção de um futuro melhor, procurando, desta forma, restabelecer a credibilidade do Japão perante o resto do mundo.

Foi assim que, em 1947, estabelecido na cidade de Tadotsu, na província de Kagawa, Doshin So fundou seu Dojo onde passou a ensinar as pessoas a desenvolver seus potenciais, tendo como bases a filosofia ensinada por Buda. Primeiramente, suas intenções estavam em preleções e teorias filosóficas abstratas provindas do Zen, mas, assim como um Bodhidharma[3] moderno, logo deu-se conta de que só isso não era o suficiente para mudar a mente das pessoas.

Ora, sabemos que antes de toda a teoria moral ou filosofia ética, temos a via concreta que a precede. Portanto, antes de pensarmos moralmente, existe uma questão primordial ligada ao simples fato de viver e agir. Para agir, então, precisamos estar cientes desta questão primordial para anteciparmos o fim e escolher os melhores meios que nos levarão na direção de nosso futuro. Esta questão primordial nada mais é do que a Ética em si, na sua essência, como orientação e significação existencial. Doshin So intuiu esta questão quando afirmou: “A pessoa, a pessoa, a pessoa – tudo depende da qualidade da pessoa”[4]. Por isso o Doshin So procurou trabalhar as bases morais que levariam ao desenvolvimento da coragem, da misericórdia e do sentido de justiça, e para tal, compreendeu que havia a necessidade de preparar o físico juntamente com o espiritual, para daí sim tornar-se possível a busca dos ideais superiores almejados.

kaiso Então, utilizando-se das técnicas derivadas do Arahan no Ken[5], que praticou e tornou-se especialista quando estava na China, Doshin So lançou os primeiros passos para a criação do Shorinji Kempo, onde a disciplina e a capacidade de trabalho em conjunto eram fundamentais e formavam as bases necessárias para a construção de uma sociedade pacífica. Desta forma, o Shorinji Kempo, como proposto por Doshin So e praticado até hoje, visava não somente a construção de um corpo forte e saudável, mas também de uma mente reta e disciplinada (gyo) na busca de completar o humanitarismo e desenvolver o caráter dos praticantes, sem nunca esquecer a harmonia e o equilíbrio do in-yo[6], expresso nos círculos sobrepostos (so-en), elemento central do símbolo do Shorinji Kempo.

Desta forma, as habilidades físicas, com a intenção de formar tão somente lutadores habilidosos e fortes, não era a intenção final do Kaiso[7] ao fundar o Shorinji Kempo. A motivação maior estaria na cultivação de líderes verdadeiros, dotados de pensamento sadio, com afiado senso de justiça e confiantes no potencial humano de crescimento inerente das pessoas. Para o Kaiso o corpo sadio e o espírito dotado de uma coragem indomável, devem estar intrinsecamente ligados a um caráter polido, na busca de uma vida feliz, numa sociedade pacífica e próspera, calcado na força verdadeira ensinada pelo Shorinji Kempo.

Doshin-So-2 Este pensamento de harmonia envolve toda a prática do Shorinji Kempo. Vemos isso na disposição das técnicas do go ju ittai, contendo movimentos suaves, chamados de Juho e movimentos mais “duros”, de impacto, chamados de Goho, realizados como uma prática só, sem separá-los. Doshin So dizia que o corpo e o espírito não são separados (心身一如 - shinshin ichinyo) e que o corpo e o espírito deviam ser treinados juntos (拳禅一如 - kenzen ichinyo).

Destarte, quando começamos a prática do Shorinji Kempo, três princípios básicos do Ken são essenciais e devem ser observados no aprendizado: o Gi, o Jutsu e o Ryaku.

Estes princípios, assim como sua importância prática, também apresentam uma importância filosófica de aplicação não somente no combate físico, mas nas batalhas diárias da vida diária de qualquer ser humano.

Deste modo, quando nos referimos ao Gi (伎) estamos falando da aquisição técnica correta da movimentação do Goho e Juho. Sequencialmente, o Jutsu (術) se refere à aplicação das técnicas assimiladas no Gi e, por fim, temos o Ryaku (略) reportando-se a como usar o gi e o jutsu. Resumidamente, diríamos que gi é a técnica, o jutsu a habilidade e o ryaku é a estratégia.

img4666fe417e013 Individualmente estes três princípios de nada serão úteis. A sua força reside na utilização em conjunto. Estratégia sem obtenção da técnica e habilidade será falha. Técnica sem estratégia e habilidade, terá sua eficiência reduzida. Habilidade, só poderá ser adquirida com a aquisição da técnica e terá sua eficiência garantida com a estratégia. No entanto, aliando-as se terá um aprendizado perfeito, seguindo o gi, o jutsu e o ryu, sequencialmente e na aplicação realizando o caminho inverso, ryaku, jutsu e gi, ou seja, realiza-se uma estratégia a qual se quer alcançar (ryaku), escolhe-se o meio (jutsu) para, então, se realizar a ação (gi). Ora, se considerarmos que o Shorinji Kempo é uma disciplina (gyo), certamente a sua aplicação necessita de um acesso adequado, que mostra-se eficiente no desembaraço proposto pelos três princípios básicos do Ken.

yamasakyaraigassho Pensamos, inclusive, que talvez não seja por demais hiperbólico pensar que a própria criação do Shorinji Kempo possa ter seguido esta sequência. Digamos que ao objetivar a recuperação do povo japonês o Doshin So tenha criado um plano (ryaku) para isto e, por fim, colocado em prática (jutsu) com a criação do Shorinji Kempo (gi). De qualquer forma, o certo é que Doshin So, o Kaiso, fez um hercúleo e fantástico trabalho em prol de sua pátria, aliás, trabalho este que, por fim, veio a beneficiar a humanidade toda.


[1] Texto escrito para o exame de faixa de 3° kyu em 30/04/2010.

[2] Kenshi n° 648-02802-5, Branch Passo Fundo – RS, Brasil.

[3] Bodhidharma – Monge budista do século V, provindo da Índia, que introduziu a filosofia Zen (Chan) na China e, juntamente, exercícios físicos que vieram a se tornar o que chamamos de Artes Marciais.

[4] Hito, hito, hito, subete wa hito no shitsu ni aru” (em japonês).

[5] A Luo Han Zhi Quan em chinês.

[6] Ying Yang em Chinês.

[7] Kaiso (開祖)= Fundador em japonês.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Defesa pessoal - Shorinji Kempo Self Defense Embu

Embu de defesa pessoal. Esta é uma apresentação combinada de defesa pessoal utilizando, principalmente, as técnicas de Juho (suaves) do Shorinji Kempo.

Self defense embu. This is a combined presentation of self defense using, mainly, the JuHo (soft) techniques of Shorinji Kempo.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Shorinji Kempo em uma lavanderia em São Paulo

Este matéria, feita pelo Globo Esporte, mostra um mestre de Shorinji Kempo, que trouxe a tradição da arte marcial japonesa, e ensina para as pessoas numa sala atrás de sua lavanderia no Bairro Liberdade em São Paulo.

Uma das frases, dita no video, que vale a pena meditar é uma citação ao Kaiso que diz que devemos dedicar metade de nossas vidas para trazer felicidade para os outros.

Muito bom!

Assistam o video logo abaixo.

--------------------------------------------

[english version]

This is a video, presented in a TV Show called Globo Esporte, where is showed a Shorinji Kempo’s master, that brought to Brazil the tradition of a japanese martial art and he have been teaching people in a room, behind his laundry, at the district Liberdade in São Paulo.

One of the phrase, told on the video, and that is worth to meditating, is a quote of Kaiso that we must devote a half our lives to bring up happiness to another peoples.

This is great!

Watch the video.

Ps: Briefly I will put subtitle in english on the video.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Poesia Taoista

 
Um poeta chinês expressou o Tao desta forma:

tao“Colher crisântemos ao longo da cerca ao leste,

Contemplando em silêncio as colinas do sul,

Os pássaros voam para casa aos pares,

Em meio à fresca brisa do crepúsculo na montanha.

Em todas essas coisas há um significado profundo,

Mas quando vamos expressá-lo

Subitamente esquecemos as palavras”.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Filosofia do Kaiso – Doshin So

Torne-se uma pessoa em quem os outros confiem

O símbolo do Shorinji Kempo, o manji, é uma forma que representa a harmonia do céu e da terra, yin e yang, e as ligações verticais e horizontais. Da mesma forma que o nosso símbolo representa tudo isto, a nossas relações com os outros não podem ser meramente verticais. Existem uns acima, nós no meio e outros em baixo. Com as relações horizontais, conosco no meio e outros em ambos os lados, também é bom. À medida que essas relações se espalham para os lados, adquirimos ligações que se estendem infinitamente a outras pessoas em ambas as direcções.

As pessoas tentam muitas vezes dirigir a sua visão apenas para cima e para baixo, acabando por rejeitar todo o tipo de coisas. Enquanto um neto tenta viver a sua própria vida, o avô tenta que ele faça exactamente o que ele lhe diz, mas não é possível. Mesmo os nossos filhos nunca fazem mesmo o que lhes dizemos. Juntar crianças dos outros e ao fim de seis meses ou mesmo vários anos de ensino de Shorinji Kempo, esperar que eles façam tudo o que vocês lhes dizem - é pedir um bocadinho demasiado.

Mesmo eu nunca pedi nada do gênero a qualquer um de vocês. Aconteceu que vocês concordaram com a minha forma de ver as coisas e juntaram-se a mim, o que é bom, mas se eu vos tivesse mandado virar para a esquerda ou para a direita, isso não teria sido bom. Os líderes de Shorinji Kempo devem ter a mesma forma de pensar. O que se quer não são pessoas que façam o que lhes é dito, mas antes pelo contrário educar pessoas que ouçam os outros, é o que procuramos. É tudo uma questão de nos tornarmos pessoas a quem os outros queiram ouvir.

A construção do dojo está a decorrer suavemente e quase no fim. Sabem, para se fazer uma coisa destas, é preciso saber como lidar com as pessoas, e isso significa saber onde encontrar o tsubo (ponto de pressão) para ajudar a fazer o trabalho. Há apenas alguns instantes, estavam a pôr os postes de madeira para as fundações, mas o edifício está numa montanha. Por isso se as coisas não forem feitas da maneira correcta, os postes vão sair do sítio e partir-se. As equipas sem supervisão prosseguirão para o poste seguinte e deixarão aquele que se partiu da maneira que está. Msa o encarregado da obra pratica Shorinji Kempo. Então ele disse, “Vai construir um dojo, não vai? Eu vou tomar conta disso”. E quando um dos postes se partiu, assentamos outro ao lado desse. Nunca lhe pedi que fizesse isso por mim, mas mesmo sem lhe pedir nada, ele quis ajudar. Esses sentimentos irracionais e pessoais de querer fazer algo por alguém ajudam-nos; esses sentimentos transportam consigo um enorme peso.

Posso dizer-vos com orgulho que, apesar de termos dado muito para o trabalho aqui, nós nunca forçámos as coisas. Todos deram se si, e como estávamos todos a gostar do trabalho, conseguimos construir algo. O que pensam acerca de construírem algo assim à vossa volta? Se o fizerem, descobrirão que a vossa vida pode mesmo mudar. No mínimo, não acham que deveriam tentar tornar-se uma pessoa de quem a vossa família, os vossos pais, irmãos e irmãs pensem, “gostaria mesmo de fazer algo para ajudá-lo”. Não gostariam de ser uma pessoa em quem eles confiam?

Doshin So — Outubro de 1969, de uma howa em Hombu Busen

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O Monge do Brooklyn ... um americano no Templo Shaolin

O Monge do Brooklyn
... um americano no Templo Shaolin
Por Antonio Graceffo

Dei uma olhada pela janelo do táxi nos campos rurais chineses. Por horas eu nada via além de casas primitivas, lama, cabana de tijolos e pessoas trabalhando nos campos. Era como a cena de abertura do filme 'Monty Python e o Cálice Sagrado".

"Denis, tem algo de amavelmente sujo lá”.

Uma carroça puxada por um cavalo passou com três ou quatro passageiros pobremente vestidos e de repente eu me dei conta que não estava mais no Broklyn.  Nem mesmo estava em Taiwan, minha casa pelos últimos dois anos. Eu estava na China, a grande China, a China comunista, e estava um pouco assustado. Passar um tempo primeiro em Taiwan me de a oportunidade de me aclimatizar e aprender a língua. Ninguém fala inglês aqui. O choque de sair diretamente de Nova Iorque para a zona rural da China teria me matado! Seria como se eu tivesse voado de um acampamento direto para o topo do Monte Everest. Eu teria morrido segundo depois de aterrizar.

No caminho à estação de trem, o motorista de táxi me perguntou o motivo de estar na China. Disse-lhe que queria estudar Kung Fu e lhe mostrei as informações que tinha pegado na internet. Planeja ir ao Instituto Civel e Shaolin Wu Shu na Vila Shaolin, em Deng Feng. Ele disse-me que me levaria até a Vila Shaloin por 300 RMB (cerca de R$ 68,00 reais ou $36 Dólares). Me parecia mais fácil do que pegar um trem. Então, concordei. Depois, ele me disse: "Meu irmão é professor de Kung Fu. Vamos buscá-lo".

Contra meus protestos, dirigimos por uma hora fora do caminho e buscamos o irmão dele. O irmão tinha ainda dois outros amigos que eram professores de Kung Fu que queriam vir conosco também. Nossa dupla tornou-se um quinteto, e partimos espremidos.

Quando vi meninos aparentemente saudáveis mancando, compreendi que estavamos perto. Isto me lembrou do meu grupo de Kung Fu em Taiwan. Eram uns dos melhores atletas que eu conhecia, mas esta sempre machucados. Enquanto nos dirigiamos para a vila Deng Feng, não podia acreditar em quantas escolas de Kung Fu haviam. Mais tarde fiquei sabendo que era próximo a 40.000 estudantes de Kung Fu vivendo nas 40 ou mais escolas que existiam.

Quando chegamos ao Templo, já era 8:00 p.m e ele já estava fechado. Achei qu eles só queriam me mostrar o templo antes de me levarem a escola de Kung Fu que eu achei na internet.

O motorista baixou a janela e falou com um monge de aparência fantasmagórica num manto. Alguns minutos depois, os portões se abriram e nós entramos. Não podia acreditar nisto! Eu estava lá, no Templo Shaolin! Ele era exatamente como nos filmes! Fiquei esperando David Carradine, Kwai Chang Kan, sair lá de dentro. Os monges, usando seus robes cobertos, parecia uma cena tirada do filme "O Nome da Rosa".

Nosso novo amigo monge nos levou ao seu quarto. Alguns monges mais velhos se juntaram a nós. Com longas barbas cinzas e as cabeças raspadas, eles pareciam como primos Hare Krishna do ZZ Top. Eles me fizeram milhões de questões sobre Taiwan e os Estados Unidos. Evitei os assuntos como a independência de Taiwan tanto quanto pude.

Eles também queriam ver o meu boxe e meu TaeKwondo. Fiquei maravilhado que mesmo no Templo Shaolin eles veem o boxe como um esporte interessante e exótico. Em chinês eles se referem, com frequencia, ao boxo como o "Kung Fu americano". Eles se divertiram vendo minha façanda de dar 180 socos em um minuto. Eu li em algum lugar que o Bruce Lee podia fazer mais que o dobro deste número.

Estava ficando tarde e estavamos todos com fome, então o primeiro monge nos levou para jantar. Pensei que monges supostamente deviam ter feito voto de pobreza, mas quando a conta chegou ele puxou um maço de dinheiro que desenrolando daria duas volta na casa em Williamsburg. Fiz uma anotação mental para lembrar de ensiná-lo a jogar cartas...

Um dos muitas especialidade chinesas, que tinhamos, era carne de cachorro. Os monges são vegetarianos. Então, não tinham que comer algum dos Old Yeller. Comi, para ser um dos caras, e como um tipo de revanche não específica pela existência dos Poodles franceses. Não era ruim. Tinha o gosto de qualquer outra carne, um pouco como um sórdido peixe-boi, e um pouco mais gorduroso que um Coala ou um panda.

Quando voltamos ao templo, um dos amigos do meu taxista, um estudante formado do Templo Shaolin, me levou para fora e me entregou um livro de orações Budistas. "Coloque $200 dólares neste livro", ele disse. "Entre, protrando-se diante do monge por três vezes e então lhe entregue o livro. Se fizer isto, você está dentro".

Dentro? Você quer dizer que poderei estudar no Templo Shaolin? Eu tinha planejado estudar em uma das escolas comerciais na Vila. Estudar no verdadeiro Templo Shaolin estava além dos meus sonhos mais loucos. Mas que coisa era esta de dinheiro? Era este um caso do tipo "Nossa filosofia é Oriental mas o pagamento são nos métodos Ocidentais?" Coloque o dinheiro no livro e entregue para o monge? Este é um dos truques mais antigos do mundo. Eles pedem para você colocar o dinheiro no livro, então trocam os livros e você perde seu dinheiro.

O amigo do taxista estava ficando impaciente. Mantinha uma constante torrente de um rápido chinês, explicando e re-explicando o que ele queria que eu fizesse, como se eu não tivesse compreendido o caso. Eu compreendi muito bem. Eu só não queria fazer o que ele estava me pedindo.
Entre as expicações, ele empurrava meu ombro e lançava chutes no ar. Eu estava certo que um destes chutes poderia ter quebrado minha perna. Mas ele ainda esta de pé perto o suficiente para eu derrubá-lo com um soco. Mas e então? Se eu lhe batesse provavelmente não poderia estudar no Templo Shaolin. Os outros ainda poderia me roubar e eu ficaria sem meu dinheiro de qualquer forma.

De repente estava numa daquelas situações que somente eu poderia me meter. Eu estava na China Continental. Não estava registrado na Embaixada americana. Não estava na escola que tinha dito aos meus amigos e minha família que eu estaria. Ninguém sabia onde eu estava. Não tinha amigos. Estes cara poderiam me matar e ninguém reclamaria meu corpo. Nos EUA ou em Taiwan, eu sempre era um pouco duro com as pessoas quando as coisas não eram do meu jeito. Eu sabia que que se tivesse um problema, eu podia lutar para sair de algum lugar. Mas aqui eu teria que lutar para sair de um lugar cheio de monges kung fu. Uma rápida ligação para Atlantic Ciy diriam os bookmakers que era 5000 contra 1 contra a minha sobrevivência, se eu recusasse desistir do meu dinheiro.

Fiz o que ele me disse e coloquei o dinheiro dentro do livro, mas com um acordo, queria ter certeza que tinha o livro sobre controle. Se eu tinha que pagar um suborno para entrar no Templo Shaolin, pelo menos queria pagar o suborno para a pessoa certa. Se subornar um homem santo fosse como subornar Deus, eu queria ter certeza que Cesar receberia cada centavo que eu tivesse prestado a ele. Numa situação ridicula, o cara tentava mudar a situação. "Me dê o livro". Ele disse, ajoelhando-se. "Lhe mostrarei como passar para o monge".

"Sim, eu tenho um ideia melhor, Momo, que tal eu lhe mostrar aonde você pode enfiar sua cabeça", pensei e ri.

Se ele tentasse passar um trote deste em Nova Yorque, ele seria deixado em algum lugar do calçadão com os bolsos do avesso. Uma vez que o dinheiro estivesse dentro do livro, ele iria precisar ter um pé-de-cabra para tirar das minhas mãos. Com aparente resignação em seu rosto, ele me levou devolta ao alojamento do monge e um pouco antes de entrarmos ele tentou novamente pegar o livro de minhas mãos. Deus! Este cara nunca ouviu falar do Brooklyn?

Ao invés disso, lhe entreguei o meu diário. "Tome, segure isto para mim". Entrei e me prostrei três vezes e dei o livro ao monge. Ele assentiu. Vi ele trocar um olhar com aquele que tinha me levado para fora. Será que tinha combinado antes para roubar meu dinheiro? Os outros passageiros e o motorista encararam interrogativamente o amigo. Acho que todos tinha combinado dividir o dinheiro.

"Qual sua religião?" Perguntou o monge.
"Católico", respondi.
"Para ser um monge você tem que ser budista", ele explicou.
"Sem problemas", respondi.

Quando o irmão mais novo do meu amigo, Herschel, fez o seu Barmitzva eu fui a sinagoga com sua familia. Isto não seria a mesma coisa? De qualquer forma eu não estava buscando uma conversão, era mais como um experimento de campo em Teologia. Fazia muito tempo que não ia a Igreja, acho que o padre Carmine teria balançado a cabeça e dito: "Pelo menos ele está indo a alguma coisa".

"Espere aqui", disse o monge. Ele saiu e dividiu o meu dinheiro de suborno com o taxista e os outros.
Antes de partirem, o taxista ainda teve culhões para vir e me pedir para pagar a corrida. "Por que não tira da sua comissão?", eu quis perguntar. Mas eu tinha me tornado um monge, então não era capaz de sentir raiva de mais ninguém, nem mesmo algum retardado com cara de idiota que tentou me roubar. Ao invés disso, senti pena.

Depois que se foram, o monge voltou e disse: "Coloque suas coisas aqui". Aparentemente eu ia dividir o quarto com ele e seu monge noviço. Eu e o noviço fechamos na mesma hora. Ele tinha 25 anos e era um cara legal. Além disso, mesmo depois de algumas horas ele ainda não tinha tentado me roubar.

Estava muito frio na China e não havia calefação no Templo. Depois fiquei sabendo que mesmo nas casas não havia calefação. Os monges viviam em relativa pobreza. As camaras eram muito pequenas, salas de concreto, cerca de duas vezes o tamanho de uma suite de luxo no Attica, com absolutamente nada dentro além de uma cama e de uma mesa. A única coisa que os monges pareciam ter, além dos meus $200 dólares, eram suas roupas. Na verdade os chineses em geral eram pobres e jogavam o lixo e detritos pelas janela. O chão do templo, pelo menos onde os monges viviam, eram cheio de lixo.

O noviço me levou por um labirinto de becos até um banheiro comunitário. Não havia luz elétrica e, além de congelada, a noite era um breu. O banheiro era só um buraco no chão, cheio de dejetos humanos. Não nem mesmo uma tela para privacidade, então todos podiam ver você fazer cocô.

Voltamos para o quarto, aonde o noviço e o monge dividiram sua água quente comigo. Descobri depois que água quente era uma comodidade. O noviço levava apenas uma jarra de um litro, a cada manhã as 5:30 a.m, para a cozinha para encher com água quente. Essa foi a quantidade de água quente para os dois naquele dia.

Coloquei minhas quentes meias de lã e meu boné da Marinha. Me arrastei para a cama e me enrolei nos cobertores que eles me deram.

"Amanhã você terá sua cabeça raspada. Então começaremos", disse o monge.

A história continua... aguardem a próxima tradução.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

SHORINJI KEMPO – Revista Black Belt

SHORINJI KEMPO


Por: Blue Johnson
Tradução: Guilherme Fauque
Revista Black Belt Magazine - Edição: Setembro 2002.



9.02bbEste descendente pouco conhecido do Kung Fu Shaolin esta vivo e "bombando" no Japão - e invadindo os Estados Unidos!

Embora as revistas e os filmes tenham feito a popularidade de várias artes marcias subir como um foguete, o Shorinji Kempo permanece um mistério para muitas pessoas. Mesmos os entusiastas das artes marciais frequentemente desconhecem sua filosofia e técnicas. E quase sempre ficam espantados ao saber que o estilo já consta com 1.5 estudantes em mais de 3.000 dojos em 27 países. Um simples grupo, alocado na cidade de Tadotsu, na ilha de Shikoku, Japão, regula todos os treinos e testes, fazendo, assim, da World Shorinji Kempo Organization o maior grupo independente de artes marciais do mundo.

Entretanto, com somente 23 dojos no Estados Unidos e 4 no Canada, o shorinji Kempo ainda é um enigma para a maioria dos estudantes. Este artigo pretenderá remediar este fato.

HISTÓRIA MODERNA

am_kempo_02 Doshin So é o fundador do Shorinji Kempo. Nasceu em 1911 na pequenada cidade de Okayma, no Japão. Ele viajou para a china aos 17 anos e viveu lápor mais de uma década e meia como um agente especial do governo Japones. Seu trabalho o colocou em contato com várias sociedade secretas chinesas e lá aprendeu as artes de luta chinesas de instrutores que as tinham escondido devido a Rebelião dos Boxers (1899-1900). (Mais sobre este fato em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Levante_dos_boxers)

Depois treinar intesivamente em Beijing, com um mestre Shaolin de nome Wen Laoshi, foi permitido ao Doshin So sucedê-lo como 21º mestre da escola Shorinji (Shaolin) Giwamonken do Norte. Ele começou com várias técnicas que aprendeu na China, então adicionou movimentos próprios e misturou tudo junto. Ele chamou sua criação de "Shorinji Kempo", que traduz-se como "Método do punho do Templo Shaolin".

Doshin So voltou para o Japão em 1946, somente para encontrar sua nação em estado de decadência moral e depressiva auto-estima pós-Segunda Guerra Mundial. Devido a sua preocupação com seu país e o desejo de mudar esta depressão em massa, ele começou a palestrar para os jovens. Quando viu que sua mensagem não estava sendo compreendida, ele compreendeu que palavras sozinhas não eram suficientes para mudar a cabeça das pessoas. Então, ele abriu um dojo e começou a tarefa de reconstruir o caráter, ética e determinação dos japoneses, através das técnicas do Shorinji Kempo como a isca para atrair novos estudantes e como um veículo para passar sua mensagem da filosofia Zen.

Em dezembro de 1951, Doshin So fundou o templo Kongo Zen Sohonzan em Todatsu, com o Shorinji Kempo como seu ensinamento principal; desta forma ele pode ensinar a arte, apesar da probição dos Aliados ao treinamento de artes marciais. Dois anos depois ele criou a Federação japonessa de Shorinji Kempo e, em 1974, ele fundou a World Shorinji Kempo Organization. Nos 33 anos que se seguiu a fundação da arte, ele dedicou sua vida ao desenvolvimento, através de seus ensinamentos filosóficos e físicos, de jovens, homens e mulheres, em adultos fortes. Ele escreveu um bestseller entitulado Shorinji Kempo: Philosophy and Techniques, e em 1975 foi reduzido e reimpresso nos Estados Unidos como O Que é o Shorinji Kempo?

Em 1976, foi feito um filme sobre a vida de Doshin So, que lançou a estrela Sonny Chiba (ator) realizando técnicas de Shorinji Kempo e interpretando o fundador. O filme, primeiramente, com o retorno de Doshin So ao Japão depois da guerra, a abertura de seu Dojo e a reconstrução do seu povo. Infelizmente, quando foi traduzido para o Inglês e lançado em video nos Estados Unidos, foi trocado o título de forma sensacionalista para Killing Machine (Máquina de Matar), assim adulterando virtualmente tudo o que o fundador representava.

Em abril de 1980, Doshin So viajou para o Templo Shaolin, onde os monges chineses lhe deram as boas vindas com uma cerimonia festiva. Um monumento de pedra, que ainda está no jardim do templo, lhe foi dedicado. Ele retornou ao Japão, e em 12 de Maio de 1980 ele morreu de doença cardiaca. Sua filha, Yuki So, então com 22 anos, decidiu continuar a visão de seu pai e continuar como presidente da World Shorinji Kempo Organization. Hoje, o sistema que ela supervisiona é usado pela policia e agências militares no Japão e é reconhecido não somente como uma arte marcial e uma religião, mas também como uma entidade que está comprometida com o melhoramento da sociedade.


ABRAGÊNCIA DA ARTE

image307 Como uma religião registrada no governo japonês, o Shorinji Kempo procura seguir as tradições ancestrais sustentadas pelos monges Shaolin - em resumo, unificando a mente e o corpo através do desenvolvimento físico e espiritual de acordo com os ensinamentos de Buda. Devido a arte girar em torno da meditação Zen e da medicina Oriental, ela pode oferecer aos estudantes três benefícios principais: melhora da saúde, desenvolviemnto espiritual e auto-defesa.

O componente de auto-defesa deriva da confiança na combinação de tecnicas "suaves" e "duras" ajustadas à permitir que um defensor mais fraco possa controlar um atacante mais forte pela aplicação dinânica de leis físicas. Isto o torna perfeito para mulheres, crianças e pessoas de todas as idades. Seu curriculo pode ser resumido em 4 partes básicas:

- Goho, que se refere primeiramente a socos, chutes, martelos (bater não como um soco), e cutiladas.
- Juho, composto de técnicas de contato próximo, incluindo de soltura, pressão nas juntas, reversões, arremessos e imobilizações.
- Seiho, ou Zen acuterapia, que oferece a promoção da saúde através da prevenção de doenças.
- Zazen, ou meditação sentada, que promove o desenvolvimento mental e espiritual através do Zen Budismo, por fim estimulando a abilidade de procurar soluções para conflitos sem desnecessários danos aos outros.


TREINO FÍSICO

MA articlepg68 O arsenal do Shorinji Kempo inclui centenas de técnicas que pode ser divididas em 25 categorias. Na maior parte, elas são ensinadas através de treinamento com parceiro, com os estudantes alternando funções como atacante e defensor. O parceiro não é um competidor ou oponente, e o objetivo não é vencê-lo. Ao invés disso, ele é um parceiro na experiência de aprendizagem, alguém que pode nos ajudar a melhorar nossa técnica. Os estudantes continuamente trocam de parceiros durante as aulas, então forçam a si mesmo a ajustar suas técnicas ao tamanho, altura, peso e alcances diferentes.

A arte esotérica japonesa também ensina técnicas de pontos-de-pressão para auto-defesa e cura. Mais de 708 pontos conhecidos na medicina oriental, o Shorinji Kempo faz uso de 138 deles para combate. Aprender a usa-los efetivamente requer muita experimentação com os parceiros.

MA articlepg69 Postura e posicionamento em pé são cruciais no Shorinji Kempo. O termo Zen kyakkashoko significa" cuidar a area envolta aos seus pés" ou "estar consciente do que seus pés estão fazendo". Se um estudante falha em observar isto, sua mente e corpo não conseguem funciar como uma. Se um deles se atrasa em relação ao outro durante uma confrontação, erros críticos poderão ser feitos e a técnica perderá a efetividade. O corpo e a mente devem permanecer calmos, focados e conscientes.

No Oriente, os estudantes de Shorinji Kempo trainam em um gi (kimono) adornado com símbolo Manji Budista porque procuram seguir as tradições do Templo Shaolin. O símbolo tem sido usado por milênios por diferentes civilizações e na verdade é anterior ao Budismo. Ele possui um profundo significado e na Asia pode ser encontrado em templos, nos mapas e em trabalhos de arte.
O manji representa a fluidez do universo e a fundação da vida. Ele também representa a muito-importante teoria dos opostos: céu e terra, dia e noite, positivo e negativo, homem e mulher, água e fogo, etc. Cada componente mantém sua própria natureza distinta enquanto descobre a relação harmoniosa com o seu oposto, e os estudantes aprende que este princípio em sua interpretação da arte.

Desafortunadamente, Adolf Hitler apossou-se do manji virando-o ao oposto e usando-o como suástica. Assim, o símbolo começou a representar seu partido Nazista. Como resultado, os estudantes do Shorinji Kempo no ocidente usaram o símbolo do ken (punho) nos seus gi.


ARTE, NÃO ESPORTE

MA article03 ltpg O Shorinji Kempo não é um esporte. Os esportes tem regras, mas em auto-defesa não existem regras. Um praticante faz o que é necessário para defender-se do um agressor. Para equilibrar esta letalidade em potencial, os estudantes são ensinados que sob circunstância alguma devem atacar primeiro, como Budistas acreditam é sempre errado dar o primeiro golpe.

No lugar do ideal esportivo de derrotar os outros ou bater recordes mundiais, o shorinji Kempo enfatiza a importância de superar-se a si mesmo pela unificação da mente e do corpo. Ele não é designado para lugar com os outros, mas ensina o praticante a melhorar fisica, mental e espiritualmente e então se tornar uma pessoa positiva, que é útil a comunidade e que possa se defender nas ruas.

Devido a sua filosofia, o Kempo não outorga graus baseados na comparação com outros ou na contagem de vitórias-derrotas num circuito de torneios. As graduações não são usadas com a proposta de formar uma hierarquia em classe, mas para determinar uma série de objetivos e marcas para os treinos. Além disso, para passar por um teste físico, os praticantes devem fazer um exame escrito que inclui fazer escrever um ensaio sobre técnica, filosofia, história, seus motivos para estudar a arte e seu atual estado de espírito com respeito a isto.

CORPO E ESPÍRITO

image302 Uma das lições mais importantes do Shorinji Kempo é que o corpo e o espírito são indivisíveis e que ambos são de igual importância. O Kempo defende o treino das duas partes através das técnicas físicas e da meditação zazen. O princípio orientador é que o estudante deve primeiro salvar-se para então ser útil ao mundo.

O desenvolvimento do controle da respiração, da disciplina mental e da forçã física e espiritual estão entre os muitos benefícios da prática do Shorinji Kempo. "Força e amor sem limites" é o slogan usado com frequencia pelo seus adeptos.

A filosofia ensina que o amor sem força é ineficaz, enquanto que a força sem amor é violência. O movimento existe no silêncio e a calma existe na ação.

Através da meditação e o do treinamento físico, o Shorinji Kempo busca encontrar o equilíbrio e a harmonia entre o amor e a força, corpo e mente, poder e compaixão, o eu e os outros, entre a ação e calmaria. Por fim, ele se torna um estilo de vida, uma fórmula para a felicidade pessoal e pela realização do potencial humano.

Embora não seja designado expressamente para a competição ou luta de rua, o shorinji Kempo, definitivamente, dá aos seus praticantes as habilidades de se defenderem. O shorinji kempo é uma arte marcial compreensiva que inclue chutes, socos, cuteladas, ataques aos pontos de pressão, escapadas, torções e arremessos.

PROMESSA DE LEALDADE

O juramento do shorinji Kempo pede aos estudantes que prometam seguirem seis princípios - tanto no treinamento quanto na vida:

img4666fe417e013 1. Afirmar o fundador;
2. Ser honestos com nossos professores e respeitar aqueles que estão a nossa frente;
3. Não desprezar aqueles que estão atrás de nós;
4. Ajudar, bem como aceitar ajuda;
5. Deixar de lado as preocupações em aprender o Shorinji Kempo, como se você fosse uma criança recém-nascida.
6. Use o Shorinji Kempo somente para ajudar as pessoas e nunca para sua reputação ou lucro. - (Blue Jonhson).




Revista japonesa Kempo

TEMPU NAKAMURA

Nakamura-tempu-doing-calligraphyTempu Nakamura (中村天風)  nasceu em 1876 em Oji, Tokyo, membro da família Tachibana, do clã Yanagawa em Kyushu. Militar ativo no interior da Manchúria durante a Guerra Russo-Japonesa, teve diagnosticada uma tuberculose aguda por um médico do exército que lhe deu seis meses de vida. Frente a frente com uma doença terminal, Tempu viajou pelo mundo em busca de uma "forma verdadeira de viver", explorando a ciência, a filosofia, religião e umas tantas outras disciplinas. Incapaz de encontrar o que procurava, de volta ao Japão, conheceu o filósofo iogue Kaliapa e seguiu para o Monte Kancheqjunga, nos Himalaias Hindus para viver uma vida de contenções, onde chegou ao estado de iluminação.

Ao retornar ao Japão, participou da Revolução Shingai. Depois empreendeu alguns negócios, mas em 1919, abandonou completamente sua posição social para usar sua experiência no caminho da iluminação e voltou à saúde para prestar alívio aos outros e ao mundo, fundando o Toitsu Tetsuigakkai. Tempu dava sermões toda manhã nos parques Ueno e Hibiya e sua organização foi oficialmente reconhecida em 1962 sob o nome de Tempukai. Tempu Nakamura faleceu em 10 de dezembro de 1968, aos 92 anos.

Alguns ensinamentos de Nakamura, tirado do livro “Segredos do Budo”, de Jonh Stevens (org):

O que há de mais importante para um ser humano não é o que ele ou ela tem entre as orelhas; é o que está no seu coração. Se o espírito for forte, pode realizar qualquer coisa.

Você só vive uma vez. Mantenha-se no presente. O passado já se foi, e o futuro é desconhecido.

Não tente remover todas as suas paixões. As paixões fazem nascer a atividade heróica. Realize sua paixão e isso lhe trará felicidade.

Não pense no trabalho -  qualquer trabalho – como um dever. Se for um dever, ele vai se tornar um fardo. Como você transforma um fardo num prazer? Vivendo de modo respeitoso, correto, positivo e corajoso.

budo1680Ao levantar-se de manhã, saúde o dia com vigor. Durante o dia, abstenha-se de pensar ou dizer: “estou confuso”, “sou fraco”, “estou triste”, “preciso de ajuda”. À noite, antes de dormir, liberte-se de seus pensamentos de tristeza, raiva ou irritação. Pense em coisas agradáveis.

Não trabalhe demais.

Reflita constantemente sobre o estado de sua mente.

Aproxime-se dos outros de uma maneira clara e positiva.

Seja sempre agradecido, honesto, gentil e agradável.

Fale de modo verdadeiro e honesto.

O corpo e a mente forma uma única entidade; a vida segue leis naturais básicas que não devem ser violadas. Sua atitude em relação à vida determina os seus resultados.

A melhor atitude fundamenta-se em respeito, coragem, verdade e pureza.

Alimente-se da energia vital sendo saudável, corajoso, decidido, determinado e vigoroso.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Ciência da Luta – Fight Science

Documentário muito interessante da National Geographic, composto de 9 episódios.

Vou colocar aqui para apreciação dos amigos, embora sejam videos facilmente encontrados no You Tube.

----------------------------------------

This is a very interesting Documentary of the National Geographic, compound of nine episodes.

I’ll put here to appreciation of the friends, although they are very easy to find on You tube.

#1 Episode

#2 Espisode

#3 Episode

#4 Episode

#5 Episode

#6 Episode

#7 Episode

#8 Episode

#9 Episode