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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O Monge do Brooklyn ... um americano no Templo Shaolin

O Monge do Brooklyn
... um americano no Templo Shaolin
Por Antonio Graceffo

Dei uma olhada pela janelo do táxi nos campos rurais chineses. Por horas eu nada via além de casas primitivas, lama, cabana de tijolos e pessoas trabalhando nos campos. Era como a cena de abertura do filme 'Monty Python e o Cálice Sagrado".

"Denis, tem algo de amavelmente sujo lá”.

Uma carroça puxada por um cavalo passou com três ou quatro passageiros pobremente vestidos e de repente eu me dei conta que não estava mais no Broklyn.  Nem mesmo estava em Taiwan, minha casa pelos últimos dois anos. Eu estava na China, a grande China, a China comunista, e estava um pouco assustado. Passar um tempo primeiro em Taiwan me de a oportunidade de me aclimatizar e aprender a língua. Ninguém fala inglês aqui. O choque de sair diretamente de Nova Iorque para a zona rural da China teria me matado! Seria como se eu tivesse voado de um acampamento direto para o topo do Monte Everest. Eu teria morrido segundo depois de aterrizar.

No caminho à estação de trem, o motorista de táxi me perguntou o motivo de estar na China. Disse-lhe que queria estudar Kung Fu e lhe mostrei as informações que tinha pegado na internet. Planeja ir ao Instituto Civel e Shaolin Wu Shu na Vila Shaolin, em Deng Feng. Ele disse-me que me levaria até a Vila Shaloin por 300 RMB (cerca de R$ 68,00 reais ou $36 Dólares). Me parecia mais fácil do que pegar um trem. Então, concordei. Depois, ele me disse: "Meu irmão é professor de Kung Fu. Vamos buscá-lo".

Contra meus protestos, dirigimos por uma hora fora do caminho e buscamos o irmão dele. O irmão tinha ainda dois outros amigos que eram professores de Kung Fu que queriam vir conosco também. Nossa dupla tornou-se um quinteto, e partimos espremidos.

Quando vi meninos aparentemente saudáveis mancando, compreendi que estavamos perto. Isto me lembrou do meu grupo de Kung Fu em Taiwan. Eram uns dos melhores atletas que eu conhecia, mas esta sempre machucados. Enquanto nos dirigiamos para a vila Deng Feng, não podia acreditar em quantas escolas de Kung Fu haviam. Mais tarde fiquei sabendo que era próximo a 40.000 estudantes de Kung Fu vivendo nas 40 ou mais escolas que existiam.

Quando chegamos ao Templo, já era 8:00 p.m e ele já estava fechado. Achei qu eles só queriam me mostrar o templo antes de me levarem a escola de Kung Fu que eu achei na internet.

O motorista baixou a janela e falou com um monge de aparência fantasmagórica num manto. Alguns minutos depois, os portões se abriram e nós entramos. Não podia acreditar nisto! Eu estava lá, no Templo Shaolin! Ele era exatamente como nos filmes! Fiquei esperando David Carradine, Kwai Chang Kan, sair lá de dentro. Os monges, usando seus robes cobertos, parecia uma cena tirada do filme "O Nome da Rosa".

Nosso novo amigo monge nos levou ao seu quarto. Alguns monges mais velhos se juntaram a nós. Com longas barbas cinzas e as cabeças raspadas, eles pareciam como primos Hare Krishna do ZZ Top. Eles me fizeram milhões de questões sobre Taiwan e os Estados Unidos. Evitei os assuntos como a independência de Taiwan tanto quanto pude.

Eles também queriam ver o meu boxe e meu TaeKwondo. Fiquei maravilhado que mesmo no Templo Shaolin eles veem o boxe como um esporte interessante e exótico. Em chinês eles se referem, com frequencia, ao boxo como o "Kung Fu americano". Eles se divertiram vendo minha façanda de dar 180 socos em um minuto. Eu li em algum lugar que o Bruce Lee podia fazer mais que o dobro deste número.

Estava ficando tarde e estavamos todos com fome, então o primeiro monge nos levou para jantar. Pensei que monges supostamente deviam ter feito voto de pobreza, mas quando a conta chegou ele puxou um maço de dinheiro que desenrolando daria duas volta na casa em Williamsburg. Fiz uma anotação mental para lembrar de ensiná-lo a jogar cartas...

Um dos muitas especialidade chinesas, que tinhamos, era carne de cachorro. Os monges são vegetarianos. Então, não tinham que comer algum dos Old Yeller. Comi, para ser um dos caras, e como um tipo de revanche não específica pela existência dos Poodles franceses. Não era ruim. Tinha o gosto de qualquer outra carne, um pouco como um sórdido peixe-boi, e um pouco mais gorduroso que um Coala ou um panda.

Quando voltamos ao templo, um dos amigos do meu taxista, um estudante formado do Templo Shaolin, me levou para fora e me entregou um livro de orações Budistas. "Coloque $200 dólares neste livro", ele disse. "Entre, protrando-se diante do monge por três vezes e então lhe entregue o livro. Se fizer isto, você está dentro".

Dentro? Você quer dizer que poderei estudar no Templo Shaolin? Eu tinha planejado estudar em uma das escolas comerciais na Vila. Estudar no verdadeiro Templo Shaolin estava além dos meus sonhos mais loucos. Mas que coisa era esta de dinheiro? Era este um caso do tipo "Nossa filosofia é Oriental mas o pagamento são nos métodos Ocidentais?" Coloque o dinheiro no livro e entregue para o monge? Este é um dos truques mais antigos do mundo. Eles pedem para você colocar o dinheiro no livro, então trocam os livros e você perde seu dinheiro.

O amigo do taxista estava ficando impaciente. Mantinha uma constante torrente de um rápido chinês, explicando e re-explicando o que ele queria que eu fizesse, como se eu não tivesse compreendido o caso. Eu compreendi muito bem. Eu só não queria fazer o que ele estava me pedindo.
Entre as expicações, ele empurrava meu ombro e lançava chutes no ar. Eu estava certo que um destes chutes poderia ter quebrado minha perna. Mas ele ainda esta de pé perto o suficiente para eu derrubá-lo com um soco. Mas e então? Se eu lhe batesse provavelmente não poderia estudar no Templo Shaolin. Os outros ainda poderia me roubar e eu ficaria sem meu dinheiro de qualquer forma.

De repente estava numa daquelas situações que somente eu poderia me meter. Eu estava na China Continental. Não estava registrado na Embaixada americana. Não estava na escola que tinha dito aos meus amigos e minha família que eu estaria. Ninguém sabia onde eu estava. Não tinha amigos. Estes cara poderiam me matar e ninguém reclamaria meu corpo. Nos EUA ou em Taiwan, eu sempre era um pouco duro com as pessoas quando as coisas não eram do meu jeito. Eu sabia que que se tivesse um problema, eu podia lutar para sair de algum lugar. Mas aqui eu teria que lutar para sair de um lugar cheio de monges kung fu. Uma rápida ligação para Atlantic Ciy diriam os bookmakers que era 5000 contra 1 contra a minha sobrevivência, se eu recusasse desistir do meu dinheiro.

Fiz o que ele me disse e coloquei o dinheiro dentro do livro, mas com um acordo, queria ter certeza que tinha o livro sobre controle. Se eu tinha que pagar um suborno para entrar no Templo Shaolin, pelo menos queria pagar o suborno para a pessoa certa. Se subornar um homem santo fosse como subornar Deus, eu queria ter certeza que Cesar receberia cada centavo que eu tivesse prestado a ele. Numa situação ridicula, o cara tentava mudar a situação. "Me dê o livro". Ele disse, ajoelhando-se. "Lhe mostrarei como passar para o monge".

"Sim, eu tenho um ideia melhor, Momo, que tal eu lhe mostrar aonde você pode enfiar sua cabeça", pensei e ri.

Se ele tentasse passar um trote deste em Nova Yorque, ele seria deixado em algum lugar do calçadão com os bolsos do avesso. Uma vez que o dinheiro estivesse dentro do livro, ele iria precisar ter um pé-de-cabra para tirar das minhas mãos. Com aparente resignação em seu rosto, ele me levou devolta ao alojamento do monge e um pouco antes de entrarmos ele tentou novamente pegar o livro de minhas mãos. Deus! Este cara nunca ouviu falar do Brooklyn?

Ao invés disso, lhe entreguei o meu diário. "Tome, segure isto para mim". Entrei e me prostrei três vezes e dei o livro ao monge. Ele assentiu. Vi ele trocar um olhar com aquele que tinha me levado para fora. Será que tinha combinado antes para roubar meu dinheiro? Os outros passageiros e o motorista encararam interrogativamente o amigo. Acho que todos tinha combinado dividir o dinheiro.

"Qual sua religião?" Perguntou o monge.
"Católico", respondi.
"Para ser um monge você tem que ser budista", ele explicou.
"Sem problemas", respondi.

Quando o irmão mais novo do meu amigo, Herschel, fez o seu Barmitzva eu fui a sinagoga com sua familia. Isto não seria a mesma coisa? De qualquer forma eu não estava buscando uma conversão, era mais como um experimento de campo em Teologia. Fazia muito tempo que não ia a Igreja, acho que o padre Carmine teria balançado a cabeça e dito: "Pelo menos ele está indo a alguma coisa".

"Espere aqui", disse o monge. Ele saiu e dividiu o meu dinheiro de suborno com o taxista e os outros.
Antes de partirem, o taxista ainda teve culhões para vir e me pedir para pagar a corrida. "Por que não tira da sua comissão?", eu quis perguntar. Mas eu tinha me tornado um monge, então não era capaz de sentir raiva de mais ninguém, nem mesmo algum retardado com cara de idiota que tentou me roubar. Ao invés disso, senti pena.

Depois que se foram, o monge voltou e disse: "Coloque suas coisas aqui". Aparentemente eu ia dividir o quarto com ele e seu monge noviço. Eu e o noviço fechamos na mesma hora. Ele tinha 25 anos e era um cara legal. Além disso, mesmo depois de algumas horas ele ainda não tinha tentado me roubar.

Estava muito frio na China e não havia calefação no Templo. Depois fiquei sabendo que mesmo nas casas não havia calefação. Os monges viviam em relativa pobreza. As camaras eram muito pequenas, salas de concreto, cerca de duas vezes o tamanho de uma suite de luxo no Attica, com absolutamente nada dentro além de uma cama e de uma mesa. A única coisa que os monges pareciam ter, além dos meus $200 dólares, eram suas roupas. Na verdade os chineses em geral eram pobres e jogavam o lixo e detritos pelas janela. O chão do templo, pelo menos onde os monges viviam, eram cheio de lixo.

O noviço me levou por um labirinto de becos até um banheiro comunitário. Não havia luz elétrica e, além de congelada, a noite era um breu. O banheiro era só um buraco no chão, cheio de dejetos humanos. Não nem mesmo uma tela para privacidade, então todos podiam ver você fazer cocô.

Voltamos para o quarto, aonde o noviço e o monge dividiram sua água quente comigo. Descobri depois que água quente era uma comodidade. O noviço levava apenas uma jarra de um litro, a cada manhã as 5:30 a.m, para a cozinha para encher com água quente. Essa foi a quantidade de água quente para os dois naquele dia.

Coloquei minhas quentes meias de lã e meu boné da Marinha. Me arrastei para a cama e me enrolei nos cobertores que eles me deram.

"Amanhã você terá sua cabeça raspada. Então começaremos", disse o monge.

A história continua... aguardem a próxima tradução.

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