domingo, 28 de fevereiro de 2010

Filosofia do Kaiso – Doshin So

Torne-se uma pessoa em quem os outros confiem

 avatar_manji_reflect_kecil O símbolo do Shorinji Kempo, o manji, é uma forma que representa a harmonia do céu e da terra, yin e yang, e as ligações verticais e horizontais. Da mesma forma que o nosso símbolo representa tudo isto, a nossas relações com os outros não podem ser meramente verticais. Existem uns acima, nós no meio e outros em baixo. Com as relações horizontais, conosco no meio e outros em ambos os lados, também é bom. À medida que essas relações se espalham para os lados, adquirimos ligações que se estendem infinitamente a outras pessoas em ambas as direcções.

As pessoas tentam muitas vezes dirigir a sua visão apenas para cima e para baixo, acabando por rejeitar todo o tipo de coisas. Enquanto um neto tenta viver a sua própria vida, o avô tenta que ele faça exactamente o que ele lhe diz, mas não é possível. Mesmo os nossos filhos nunca fazem mesmo o que lhes dizemos. Juntar crianças dos outros e ao fim de seis meses ou mesmo vários anos de ensino de Shorinji Kempo, esperar que eles façam tudo o que vocês lhes dizem - é pedir um bocadinho demasiado.

originator_img01.344204806_std Mesmo eu nunca pedi nada do gênero a qualquer um de vocês. Aconteceu que vocês concordaram com a minha forma de ver as coisas e juntaram-se a mim, o que é bom, mas se eu vos tivesse mandado virar para a esquerda ou para a direita, isso não teria sido bom. Os líderes de Shorinji Kempo devem ter a mesma forma de pensar. O que se quer não são pessoas que façam o que lhes é dito, mas antes pelo contrário educar pessoas que ouçam os outros, é o que procuramos. É tudo uma questão de nos tornarmos pessoas a quem os outros queiram ouvir.

A construção do dojo está a decorrer suavemente e quase no fim. Sabem, para se fazer uma coisa destas, é preciso saber como lidar com as pessoas, e isso significa saber onde encontrar o tsubo (ponto de pressão) para ajudar a fazer o trabalho. Há apenas alguns instantes, estavam a pôr os postes de madeira para as fundações, mas o edifício está numa montanha. Por isso se as coisas não forem feitas da maneira correcta, os postes vão sair do sítio e partir-se. As equipas sem supervisão prosseguirão para o poste seguinte e deixarão aquele que se partiu da maneira que está. Msa o encarregado da obra pratica Shorinji Kempo. Então ele disse, “Vai construir um dojo, não vai? Eu vou tomar conta disso”. E quando um dos postes se partiu, assentamos outro ao lado desse. Nunca lhe pedi que fizesse isso por mim, mas mesmo sem lhe pedir nada, ele quis ajudar. Esses sentimentos irracionais e pessoais de querer fazer algo por alguém ajudam-nos; esses sentimentos transportam consigo um enorme peso.

Posso dizer-vos com orgulho que, apesar de termos dado muito para o trabalho aqui, nós nunca forçámos as coisas. Todos deram se si, e como estávamos todos a gostar do trabalho, conseguimos construir image309algo. O que pensam acerca de construírem algo assim à vossa volta? Se o fizerem, descobrirão que a vossa vida pode mesmo mudar. No mínimo, não acham que deveriam tentar tornar-se uma pessoa de quem a vossa família, os vossos pais, irmãos e irmãs pensem, “gostaria mesmo de fazer algo para ajudá-lo”. Não gostariam de ser uma pessoa em quem eles confiam?

Doshin So — Outubro de 1969, de uma howa em Hombu Busen

Fonte: http://www.shorinjikempo.or.jp/wsko/kaiso/3.html

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Karatê-Kid 2010

Um filme que marcou época agora está de volta. Karatê-Kid volta as telas de cinema com uma estória semelhante, mas um “myagi” muito diferente: Jackie Chan.

Não assisti o filme ainda, mas o trailer é muito legal. O filme passa-se na China, com a transferência da mãe de um garoto para trabalhar lá, assim como vemos no Karate-Kid 1. Logo o garoto enfrenta a antipatia de alguns garotos locais e se mete em encrenca. Até aqui, nada de diferente do primeiro filme. Mas, aí é que entra a grande novidade! O Sr. Myagi moderno, que resolve ajudar o garoto, é ninguém menos do que Jackie Chan. Certamente não podemos esperar a seriedade do Myagi japonês, o que provavelmente será um grande ponto a favor do filme. Aliás, no trailer vemos uma hilária interpretação da clássica cena em que o Sr. Myagi pega uma mosca utilizando hashi (os pauzinhos orientais utilizados para comer), onde Chan utiliza um matador de moscas e depois os hashi (confiram no trailer).

Enfim, parece que teremos um divertido e interessante novo Karate-Kid.

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A movie that made history is now back. Karate-Kid back to the big screen wich a equal story, but a very different “Mr.Myagi”: Jackie Chan.

I don’t watch the movie yet, but the trailer is vey cool. The movie happen at China, due the transference of the mother of little guy, to work there, like on the Karate-Kid 1. Soon the boy face the antipathy some local boys and gets in trouble. Until here there are no different with the first movie. But, it’s in this moment that we have a great news! The modern Mr. Myagi, that solve help the boy, is none other that Jackie Chan!  Of course that we cannot wait the seriously of the japanese Myagi… what I think will be a strong point to the movie. Otherwise, we can watch on the trailer the classical scene when the Mr. Myagi catch a fly using  a hashi (this litlle stick that eastern people use to eat), where Chan use a fly killer and after use the hashi to catch it (check on the trailer). It’s hilarious…

Finally, seems  that we will have a very different and intersting new karate-Kid… or maye a “kung Fu-kid”.

TRAILER:

O Monge do Brooklyn ... um americano no Templo Shaolin

O Monge do Brooklyn
... um americano no Templo Shaolin
Por Antonio Graceffo
1a Dei uma olhada pela janelo do táxi nos campos rurais chineses. Por horas eu nada via além de casas primitivas, lama, cabana de tijolos e pessoas trabalhando nos campos. Era como a cena de abertura do filme 'Monty Python e o Cálice Sagrado".

"Denis, tem algo de amavelmente sujo lá”.

Uma carroça puxada por um cavalo passou com três ou quatro passageiros pobremente vestidos e de repente eu me dei conta que não estava mais no Broklyn.  Nem mesmo estava em Taiwan, minha casa pelos últimos dois anos. Eu estava na China, a grande China, a China comunista, e estava um pouco assustado. Passar um tempo primeiro em Taiwan me de a oportunidade de me aclimatizar e aprender a língua. Ninguém fala inglês aqui. O choque de sair diretamente de Nova Iorque para a zona rural da China teria me matado! Seria como se eu tivesse voado de um acampamento direto para o topo do Monte Everest. Eu teria morrido segundo depois de aterrizar.

018 No caminho à estação de trem, o motorista de táxi me perguntou o motivo de estar na China. Disse-lhe que queria estudar Kung Fu e lhe mostrei as informações que tinha pegado na internet. Planeja ir ao Instituto Civel e Shaolin Wu Shu na Vila Shaolin, em Deng Feng. Ele disse-me que me levaria até a Vila Shaloin por 300 RMB (cerca de R$ 68,00 reais ou $36 Dólares). Me parecia mais fácil do que pegar um trem. Então, concordei. Depois, ele me disse: "Meu irmão é professor de Kung Fu. Vamos buscá-lo".

Contra meus protestos, dirigimos por uma hora fora do caminho e buscamos o irmão dele. O irmão tinha ainda dois outros amigos que eram professores de Kung Fu que queriam vir conosco também. Nossa dupla tornou-se um quinteto, e partimos espremidos.
Quando vi meninos aparentemente saudáveis mancando, compreendi que estavamos perto. Isto me lembrou do meu grupo de Kung Fu em Taiwan. Eram uns dos melhores atletas que eu conhecia, mas esta sempre machucados. Enquanto nos dirigiamos para a vila Deng Feng, não podia acreditar em quantas escolas de Kung Fu haviam. Mais tarde fiquei sabendo que era próximo a 40.000 estudantes de Kung Fu vivendo nas 40 ou mais escolas que existiam.

Quando chegamos ao Templo, já era 8:00 p.m e ele já estava fechado. Achei qu eles só queriam me mostrar o templo antes de me levarem a escola de Kung Fu que eu achei na internet.

Kung fu O motorista baixou a janela e falou com um monge de aparência fantasmagórica num manto. Alguns minutos depois, os portões se abriram e nós entramos. Não podia acreditar nisto! Eu estava lá, no Templo Shaolin! Ele era exatamente como nos filmes! Fiquei esperando David Carradine, Kwai Chang Kan, sair lá de dentro. Os monges, usando seus robes cobertos, parecia uma cena tirada do filme "O Nome da Rosa".
Nosso novo amigo monge nos levou ao seu quarto. Alguns monges mais velhos se juntaram a nós. Com longas barbas cinzas e as cabeças raspadas, eles pareciam como primos Hare Krishna do ZZ Top. Eles me fizeram milhões de questões sobre Taiwan e os Estados Unidos. Evitei os assuntos como a independência de Taiwan tanto quanto pude.
Eles também queriam ver o meu boxe e meu TaeKwondo. Fiquei maravilhado que mesmo no Templo Shaolin eles veem o boxe como um esporte interessante e exótico. Em chinês eles se referem, com frequencia, ao boxo como o "Kung Fu americano". Eles se divertiram vendo minha façanda de dar 180 socos em um minuto. Eu li em algum lugar que o Bruce Lee podia fazer mais que o dobro deste número.

Estava ficando tarde e estavamos todos com fome, então o primeiro monge nos levou para jantar. Pensei que monges supostamente deviam ter feito voto de pobreza, mas quando a conta chegou ele puxou um maço de dinheiro que desenrolando daria duas volta na casa em Williamsburg. Fiz uma anotação mental para lembrar de ensiná-lo a jogar cartas...

Um dos muitas especialidade chinesas, que tinhamos, era carne de cachorro. Os monges são vegetarianos. Então, não tinham que comer algum dos Old Yeller. Comi, para ser um dos caras, e como um tipo de revanche não específica pela existência dos Poodles franceses. Não era ruim. Tinha o gosto de qualquer outra carne, um pouco como um sórdido peixe-boi, e um pouco mais gorduroso que um Coala ou um panda.

f3 Quando voltamos ao templo, um dos amigos do meu taxista, um estudante formado do Templo Shaolin, me levou para fora e me entregou um livro de orações Budistas. "Coloque $200 dólares neste livro", ele disse. "Entre, protrando-se diante do monge por três vezes e então lhe entregue o livro. Se fizer isto, você está dentro".

Dentro? Você quer dizer que poderei estudar no Templo Shaolin? Eu tinha planejado estudar em uma das escolas comerciais na Vila. Estudar no verdadeiro Templo Shaolin estava além dos meus sonhos mais loucos. Mas que coisa era esta de dinheiro? Era este um caso do tipo "Nossa filosofia é Oriental mas o pagamento são nos métodos Ocidentais?" Coloque o dinheiro no livro e entregue para o monge? Este é um dos truques mais antigos do mundo. Eles pedem para você colocar o dinheiro no livro, então trocam os livros e você perde seu dinheiro.
O amigo do taxista estava ficando impaciente. Mantinha uma constante torrente de um rápido chinês, explicando e re-explicando o que ele queria que eu fizesse, como se eu não tivesse compreendido o caso. Eu compreendi muito bem. Eu só não queria fazer o que ele estava me pedindo.
Entre as expicações, ele empurrava meu ombro e lançava chutes no ar. Eu estava certo que um destes chutes poderia ter quebrado minha perna. Mas ele ainda esta de pé perto o suficiente para eu derrubá-lo com um soco. Mas e então? Se eu lhe batesse provavelmente não poderia estudar no Templo Shaolin. Os outros ainda poderia me roubar e eu ficaria sem meu dinheiro de qualquer forma.

De repente estava numa daquelas situações que somente eu poderia me meter. Eu estava na China Continental. Não estava registrado na Embaixada americana. Não estava na escola que tinha dito aos meus amigos e minha família que eu estaria. Ninguém sabia onde eu estava. Não tinha amigos. Estes cara poderiam me matar e ninguém reclamaria meu corpo. Nos EUA ou em Taiwan, eu sempre era um pouco duro com as pessoas quando as coisas não eram do meu jeito. Eu sabia que que se tivesse um problema, eu podia lutar para sair de algum lugar. Mas aqui eu teria que lutar para sair de um lugar cheio de monges kung fu. Uma rápida ligação para Atlantic Ciy diriam os bookmakers que era 5000 contra 1 contra a minha sobrevivência, se eu recusasse desistir do meu dinheiro.

Fiz o que ele me disse e coloquei o dinheiro dentro do livro, mas com um acordo, queria ter certeza que tinha o livro sobre controle. Se eu tinha que pagar um suborno para entrar no Templo Shaolin, pelo menos queria pagar o suborno para a pessoa certa. Se subornar um homem santo fosse como subornar Deus, eu queria ter certeza que Cesar receberia cada centavo que eu tivesse prestado a ele. Numa situação ridicula, o cara tentava mudar a situação. "Me dê o livro". Ele disse, ajoelhando-se. "Lhe mostrarei como passar para o monge".

"Sim, eu tenho um ideia melhor, Momo, que tal eu lhe mostrar aonde você pode enfiar sua cabeça", pensei e ri.

sandashifu4 Se ele tentasse passar um trote deste em Nova Yorque, ele seria deixado em algum lugar do calçadão com os bolsos do avesso. Uma vez que o dinheiro estivesse dentro do livro, ele iria precisar ter um pé-de-cabra para tirar das minhas mãos. Com aparente resignação em seu rosto, ele me levou devolta ao alojamento do monge e um pouco antes de entrarmos ele tentou novamente pegar o livro de minhas mãos. Deus! Este cara nunca ouviu falar do Brooklyn?

Ao invés disso, lhe entreguei o meu diário. "Tome, segure isto para mim". Entrei e me prostrei três vezes e dei o livro ao monge. Ele assentiu. Vi ele trocar um olhar com aquele que tinha me levado para fora. Será que tinha combinado antes para roubar meu dinheiro? Os outros passageiros e o motorista encararam interrogativamente o amigo. Acho que todos tinha combinado dividir o dinheiro.

"Qual sua religião?" Perguntou o monge.
"Católico", respondi.
"Para ser um monge você tem que ser budista", ele explicou.
"Sem problemas", respondi.

Quando o irmão mais novo do meu amigo, Herschel, fez o seu Barmitzva eu fui a sinagoga com sua familia. Isto não seria a mesma coisa? De qualquer forma eu não estava buscando uma conversão, era mais como um experimento de campo em Teologia. Fazia muito tempo que não ia a Igreja, acho que o padre Carmine teria balançado a cabeça e dito: "Pelo menos ele está indo a alguma coisa".
"Espere aqui", disse o monge. Ele saiu e dividiu o meu dinheiro de suborno com o taxista e os outros.
Antes de partirem, o taxista ainda teve culhões para vir e me pedir para pagar a corrida. "Por que não tira da sua comissão?", eu quis perguntar. Mas eu tinha me tornado um monge, então não era capaz de sentir raiva de mais ninguém, nem mesmo algum retardado com cara de idiota que tentou me roubar. Ao invés disso, senti pena.

Depois que se foram, o monge voltou e disse: "Coloque suas coisas aqui". Aparentemente eu ia dividir o quarto com ele e seu monge noviço. Eu e o noviço fechamos na mesma hora. Ele tinha 25 anos e era um cara legal. Além disso, mesmo depois de algumas horas ele ainda não tinha tentado me roubar.

bodhidharma Estava muito frio na China e não havia calefação no Templo. Depois fiquei sabendo que mesmo nas casas não havia calefação. Os monges viviam em relativa pobreza. As camaras eram muito pequenas, salas de concreto, cerca de duas vezes o tamanho de uma suite de luxo no Attica, com absolutamente nada dentro além de uma cama e de uma mesa. A única coisa que os monges pareciam ter, além dos meus $200 dólares, eram suas roupas. Na verdade os chineses em geral eram pobres e jogavam o lixo e detritos pelas janela. O chão do templo, pelo menos onde os monges viviam, eram cheio de lixo.

O noviço me levou por um labirinto de becos até um banheiro comunitário. Não havia luz elétrica e, além de congelada, a noite era um breu. O banheiro era só um buraco no chão, cheio de dejetos humanos. Não nem mesmo uma tela para privacidade, então todos podiam ver você fazer cocô.

Voltamos para o quarto, aonde o noviço e o monge dividiram sua água quente comigo. Descobri depois que água quente era uma comodidade. O noviço levava apenas uma jarra de um litro, a cada manhã as 5:30 a.m, para a cozinha para encher com água quente. Essa foi a quantidade de água quente para os dois naquele dia.

Coloquei minhas quentes meias de lã e meu boné da Marinha. Me arrastei para a cama e me enrolei nos cobertores que eles me deram.

"Amanhã você terá sua cabeça raspada. Então começaremos", disse o monge.

A história continua... aguardem a próxima tradução.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

SHORINJI KEMPO – Revista Black Belt

SHORINJI KEMPO


Por: Blue Johnson
Tradução: Guilherme Fauque
Revista Black Belt Magazine - Edição: Setembro 2002.



9.02bbEste descendente pouco conhecido do Kung Fu Shaolin esta vivo e "bombando" no Japão - e invadindo os Estados Unidos!

Embora as revistas e os filmes tenham feito a popularidade de várias artes marcias subir como um foguete, o Shorinji Kempo permanece um mistério para muitas pessoas. Mesmos os entusiastas das artes marciais frequentemente desconhecem sua filosofia e técnicas. E quase sempre ficam espantados ao saber que o estilo já consta com 1.5 estudantes em mais de 3.000 dojos em 27 países. Um simples grupo, alocado na cidade de Tadotsu, na ilha de Shikoku, Japão, regula todos os treinos e testes, fazendo, assim, da World Shorinji Kempo Organization o maior grupo independente de artes marciais do mundo.

Entretanto, com somente 23 dojos no Estados Unidos e 4 no Canada, o shorinji Kempo ainda é um enigma para a maioria dos estudantes. Este artigo pretenderá remediar este fato.

HISTÓRIA MODERNA

am_kempo_02 Doshin So é o fundador do Shorinji Kempo. Nasceu em 1911 na pequenada cidade de Okayma, no Japão. Ele viajou para a china aos 17 anos e viveu lápor mais de uma década e meia como um agente especial do governo Japones. Seu trabalho o colocou em contato com várias sociedade secretas chinesas e lá aprendeu as artes de luta chinesas de instrutores que as tinham escondido devido a Rebelião dos Boxers (1899-1900). (Mais sobre este fato em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Levante_dos_boxers)

Depois treinar intesivamente em Beijing, com um mestre Shaolin de nome Wen Laoshi, foi permitido ao Doshin So sucedê-lo como 21º mestre da escola Shorinji (Shaolin) Giwamonken do Norte. Ele começou com várias técnicas que aprendeu na China, então adicionou movimentos próprios e misturou tudo junto. Ele chamou sua criação de "Shorinji Kempo", que traduz-se como "Método do punho do Templo Shaolin".

Doshin So voltou para o Japão em 1946, somente para encontrar sua nação em estado de decadência moral e depressiva auto-estima pós-Segunda Guerra Mundial. Devido a sua preocupação com seu país e o desejo de mudar esta depressão em massa, ele começou a palestrar para os jovens. Quando viu que sua mensagem não estava sendo compreendida, ele compreendeu que palavras sozinhas não eram suficientes para mudar a cabeça das pessoas. Então, ele abriu um dojo e começou a tarefa de reconstruir o caráter, ética e determinação dos japoneses, através das técnicas do Shorinji Kempo como a isca para atrair novos estudantes e como um veículo para passar sua mensagem da filosofia Zen.

Em dezembro de 1951, Doshin So fundou o templo Kongo Zen Sohonzan em Todatsu, com o Shorinji Kempo como seu ensinamento principal; desta forma ele pode ensinar a arte, apesar da probição dos Aliados ao treinamento de artes marciais. Dois anos depois ele criou a Federação japonessa de Shorinji Kempo e, em 1974, ele fundou a World Shorinji Kempo Organization. Nos 33 anos que se seguiu a fundação da arte, ele dedicou sua vida ao desenvolvimento, através de seus ensinamentos filosóficos e físicos, de jovens, homens e mulheres, em adultos fortes. Ele escreveu um bestseller entitulado Shorinji Kempo: Philosophy and Techniques, e em 1975 foi reduzido e reimpresso nos Estados Unidos como O Que é o Shorinji Kempo?

Em 1976, foi feito um filme sobre a vida de Doshin So, que lançou a estrela Sonny Chiba (ator) realizando técnicas de Shorinji Kempo e interpretando o fundador. O filme, primeiramente, com o retorno de Doshin So ao Japão depois da guerra, a abertura de seu Dojo e a reconstrução do seu povo. Infelizmente, quando foi traduzido para o Inglês e lançado em video nos Estados Unidos, foi trocado o título de forma sensacionalista para Killing Machine (Máquina de Matar), assim adulterando virtualmente tudo o que o fundador representava.

Em abril de 1980, Doshin So viajou para o Templo Shaolin, onde os monges chineses lhe deram as boas vindas com uma cerimonia festiva. Um monumento de pedra, que ainda está no jardim do templo, lhe foi dedicado. Ele retornou ao Japão, e em 12 de Maio de 1980 ele morreu de doença cardiaca. Sua filha, Yuki So, então com 22 anos, decidiu continuar a visão de seu pai e continuar como presidente da World Shorinji Kempo Organization. Hoje, o sistema que ela supervisiona é usado pela policia e agências militares no Japão e é reconhecido não somente como uma arte marcial e uma religião, mas também como uma entidade que está comprometida com o melhoramento da sociedade.


ABRAGÊNCIA DA ARTE

image307 Como uma religião registrada no governo japonês, o Shorinji Kempo procura seguir as tradições ancestrais sustentadas pelos monges Shaolin - em resumo, unificando a mente e o corpo através do desenvolvimento físico e espiritual de acordo com os ensinamentos de Buda. Devido a arte girar em torno da meditação Zen e da medicina Oriental, ela pode oferecer aos estudantes três benefícios principais: melhora da saúde, desenvolviemnto espiritual e auto-defesa.

O componente de auto-defesa deriva da confiança na combinação de tecnicas "suaves" e "duras" ajustadas à permitir que um defensor mais fraco possa controlar um atacante mais forte pela aplicação dinânica de leis físicas. Isto o torna perfeito para mulheres, crianças e pessoas de todas as idades. Seu curriculo pode ser resumido em 4 partes básicas:

- Goho, que se refere primeiramente a socos, chutes, martelos (bater não como um soco), e cutiladas.
- Juho, composto de técnicas de contato próximo, incluindo de soltura, pressão nas juntas, reversões, arremessos e imobilizações.
- Seiho, ou Zen acuterapia, que oferece a promoção da saúde através da prevenção de doenças.
- Zazen, ou meditação sentada, que promove o desenvolvimento mental e espiritual através do Zen Budismo, por fim estimulando a abilidade de procurar soluções para conflitos sem desnecessários danos aos outros.


TREINO FÍSICO

MA articlepg68 O arsenal do Shorinji Kempo inclui centenas de técnicas que pode ser divididas em 25 categorias. Na maior parte, elas são ensinadas através de treinamento com parceiro, com os estudantes alternando funções como atacante e defensor. O parceiro não é um competidor ou oponente, e o objetivo não é vencê-lo. Ao invés disso, ele é um parceiro na experiência de aprendizagem, alguém que pode nos ajudar a melhorar nossa técnica. Os estudantes continuamente trocam de parceiros durante as aulas, então forçam a si mesmo a ajustar suas técnicas ao tamanho, altura, peso e alcances diferentes.

A arte esotérica japonesa também ensina técnicas de pontos-de-pressão para auto-defesa e cura. Mais de 708 pontos conhecidos na medicina oriental, o Shorinji Kempo faz uso de 138 deles para combate. Aprender a usa-los efetivamente requer muita experimentação com os parceiros.

MA articlepg69 Postura e posicionamento em pé são cruciais no Shorinji Kempo. O termo Zen kyakkashoko significa" cuidar a area envolta aos seus pés" ou "estar consciente do que seus pés estão fazendo". Se um estudante falha em observar isto, sua mente e corpo não conseguem funciar como uma. Se um deles se atrasa em relação ao outro durante uma confrontação, erros críticos poderão ser feitos e a técnica perderá a efetividade. O corpo e a mente devem permanecer calmos, focados e conscientes.

No Oriente, os estudantes de Shorinji Kempo trainam em um gi (kimono) adornado com símbolo Manji Budista porque procuram seguir as tradições do Templo Shaolin. O símbolo tem sido usado por milênios por diferentes civilizações e na verdade é anterior ao Budismo. Ele possui um profundo significado e na Asia pode ser encontrado em templos, nos mapas e em trabalhos de arte.
O manji representa a fluidez do universo e a fundação da vida. Ele também representa a muito-importante teoria dos opostos: céu e terra, dia e noite, positivo e negativo, homem e mulher, água e fogo, etc. Cada componente mantém sua própria natureza distinta enquanto descobre a relação harmoniosa com o seu oposto, e os estudantes aprende que este princípio em sua interpretação da arte.

Desafortunadamente, Adolf Hitler apossou-se do manji virando-o ao oposto e usando-o como suástica. Assim, o símbolo começou a representar seu partido Nazista. Como resultado, os estudantes do Shorinji Kempo no ocidente usaram o símbolo do ken (punho) nos seus gi.


ARTE, NÃO ESPORTE

MA article03 ltpg O Shorinji Kempo não é um esporte. Os esportes tem regras, mas em auto-defesa não existem regras. Um praticante faz o que é necessário para defender-se do um agressor. Para equilibrar esta letalidade em potencial, os estudantes são ensinados que sob circunstância alguma devem atacar primeiro, como Budistas acreditam é sempre errado dar o primeiro golpe.

No lugar do ideal esportivo de derrotar os outros ou bater recordes mundiais, o shorinji Kempo enfatiza a importância de superar-se a si mesmo pela unificação da mente e do corpo. Ele não é designado para lugar com os outros, mas ensina o praticante a melhorar fisica, mental e espiritualmente e então se tornar uma pessoa positiva, que é útil a comunidade e que possa se defender nas ruas.

Devido a sua filosofia, o Kempo não outorga graus baseados na comparação com outros ou na contagem de vitórias-derrotas num circuito de torneios. As graduações não são usadas com a proposta de formar uma hierarquia em classe, mas para determinar uma série de objetivos e marcas para os treinos. Além disso, para passar por um teste físico, os praticantes devem fazer um exame escrito que inclui fazer escrever um ensaio sobre técnica, filosofia, história, seus motivos para estudar a arte e seu atual estado de espírito com respeito a isto.

CORPO E ESPÍRITO

image302 Uma das lições mais importantes do Shorinji Kempo é que o corpo e o espírito são indivisíveis e que ambos são de igual importância. O Kempo defende o treino das duas partes através das técnicas físicas e da meditação zazen. O princípio orientador é que o estudante deve primeiro salvar-se para então ser útil ao mundo.

O desenvolvimento do controle da respiração, da disciplina mental e da forçã física e espiritual estão entre os muitos benefícios da prática do Shorinji Kempo. "Força e amor sem limites" é o slogan usado com frequencia pelo seus adeptos.

A filosofia ensina que o amor sem força é ineficaz, enquanto que a força sem amor é violência. O movimento existe no silêncio e a calma existe na ação.

Através da meditação e o do treinamento físico, o Shorinji Kempo busca encontrar o equilíbrio e a harmonia entre o amor e a força, corpo e mente, poder e compaixão, o eu e os outros, entre a ação e calmaria. Por fim, ele se torna um estilo de vida, uma fórmula para a felicidade pessoal e pela realização do potencial humano.

Embora não seja designado expressamente para a competição ou luta de rua, o shorinji Kempo, definitivamente, dá aos seus praticantes as habilidades de se defenderem. O shorinji kempo é uma arte marcial compreensiva que inclue chutes, socos, cuteladas, ataques aos pontos de pressão, escapadas, torções e arremessos.

PROMESSA DE LEALDADE

O juramento do shorinji Kempo pede aos estudantes que prometam seguirem seis princípios - tanto no treinamento quanto na vida:

img4666fe417e013 1. Afirmar o fundador;
2. Ser honestos com nossos professores e respeitar aqueles que estão a nossa frente;
3. Não desprezar aqueles que estão atrás de nós;
4. Ajudar, bem como aceitar ajuda;
5. Deixar de lado as preocupações em aprender o Shorinji Kempo, como se você fosse uma criança recém-nascida.
6. Use o Shorinji Kempo somente para ajudar as pessoas e nunca para sua reputação ou lucro. - (Blue Jonhson).




Revista japonesa Kempo

TEMPU NAKAMURA

Nakamura-tempu-doing-calligraphyTempu Nakamura (中村天風)  nasceu em 1876 em Oji, Tokyo, membro da família Tachibana, do clã Yanagawa em Kyushu. Militar ativo no interior da Manchúria durante a Guerra Russo-Japonesa, teve diagnosticada uma tuberculose aguda por um médico do exército que lhe deu seis meses de vida. Frente a frente com uma doença terminal, Tempu viajou pelo mundo em busca de uma "forma verdadeira de viver", explorando a ciência, a filosofia, religião e umas tantas outras disciplinas. Incapaz de encontrar o que procurava, de volta ao Japão, conheceu o filósofo iogue Kaliapa e seguiu para o Monte Kancheqjunga, nos Himalaias Hindus para viver uma vida de contenções, onde chegou ao estado de iluminação.

Ao retornar ao Japão, participou da Revolução Shingai. Depois empreendeu alguns negócios, mas em 1919, abandonou completamente sua posição social para usar sua experiência no caminho da iluminação e voltou à saúde para prestar alívio aos outros e ao mundo, fundando o Toitsu Tetsuigakkai. Tempu dava sermões toda manhã nos parques Ueno e Hibiya e sua organização foi oficialmente reconhecida em 1962 sob o nome de Tempukai. Tempu Nakamura faleceu em 10 de dezembro de 1968, aos 92 anos.

Alguns ensinamentos de Nakamura, tirado do livro “Segredos do Budo”, de Jonh Stevens (org):

O que há de mais importante para um ser humano não é o que ele ou ela tem entre as orelhas; é o que está no seu coração. Se o espírito for forte, pode realizar qualquer coisa.

Você só vive uma vez. Mantenha-se no presente. O passado já se foi, e o futuro é desconhecido.

Não tente remover todas as suas paixões. As paixões fazem nascer a atividade heróica. Realize sua paixão e isso lhe trará felicidade.

Não pense no trabalho -  qualquer trabalho – como um dever. Se for um dever, ele vai se tornar um fardo. Como você transforma um fardo num prazer? Vivendo de modo respeitoso, correto, positivo e corajoso.

budo1680Ao levantar-se de manhã, saúde o dia com vigor. Durante o dia, abstenha-se de pensar ou dizer: “estou confuso”, “sou fraco”, “estou triste”, “preciso de ajuda”. À noite, antes de dormir, liberte-se de seus pensamentos de tristeza, raiva ou irritação. Pense em coisas agradáveis.

Não trabalhe demais.

Reflita constantemente sobre o estado de sua mente.

Aproxime-se dos outros de uma maneira clara e positiva.

Seja sempre agradecido, honesto, gentil e agradável.

Fale de modo verdadeiro e honesto.

O corpo e a mente forma uma única entidade; a vida segue leis naturais básicas que não devem ser violadas. Sua atitude em relação à vida determina os seus resultados.

A melhor atitude fundamenta-se em respeito, coragem, verdade e pureza.

Alimente-se da energia vital sendo saudável, corajoso, decidido, determinado e vigoroso.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Ciência da Luta – Fight Science

Documentário muito interessante da National Geographic, composto de 9 episódios.

Vou colocar aqui para apreciação dos amigos, embora sejam videos facilmente encontrados no You Tube.

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This is a very interesting Documentary of the National Geographic, compound of nine episodes.

I’ll put here to appreciation of the friends, although they are very easy to find on You tube.

#1 Episode

#2 Espisode

#3 Episode

#4 Episode

#5 Episode

#6 Episode

#7 Episode

#8 Episode

#9 Episode

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Swástica e a polêmica no BBB 2010

A Polêmica Suástica

Guilherme Fauque

Recentemente surgiu uma discussão, levantada pela Federação Israelita do Rio de Janeiro (FIERJ), a respeito das suásticas tatuadas no braço do participante do Big Brother 2010, o gaúcho Marcelo Dourado.

Sabemos, infelizmente, o que a suástica representou para a vida de incontáveis judeus durante na Segunda Guerra Mundial. O preconceito, a perseguição e o genocídio em massa fizeram desta guerra, que teve como principal artífice o malfadado Adolf Hitler e o seu Nazismo, um episódio de puro terror e covardia. Tudo isso sob a égide da temerária suástica, símbolo máximo do Nazismo.

Contudo, a suástica nem sempre foi assim tão mal-vista. Antes da sua “destruição simbólica”, patrocinada pelo Nazismo, este ícone tinha grande importância em diversas culturas, tanto ocidentais quanto orientais.

Pesquisando um pouco sobre a historia deste símbolo encontramos referências a figuras símiles datados de 4.000 a.C, esculpidas em vasos de cerâmica. Ainda encontramos símiles da suástica na antiga escrita européia “vinca”, além de objetos, datados da Idade do Bronze e do Ferro, no Azerbaijão e no Cáucaso. Posteriormente, ainda encontramos registros da suástica nos povos indo-arianos, hititas, celtas, gregos, nas culturas asiáticas, européias, africanas e indígenas americanas, embora tenha sido a cultura oriental que a tenha mantido, principalmente como símbolo religioso. Mais modernamente, por exemplo, encontramos símiles da suástica no símbolo da Seicho-No-Ie, na Sociedade Teosófica e até no mapa do túnel da cidade de Taipei, onde a localização do Templo é sinalizada por uma suástica.

A palavra suástica vem do sânscrito svástika (स्वस्तिक) e significa “aquilo que traz boa sorte”, onde a raiz “svas” quer dizer “bondade”. Ela representa a prosperidade , a boa sorte, saúde e a perfeição cósmica. A suástica budista, por exemplo, é como olhar a suástica nazista num espelho, ou seja, ela é invertida. Rezam as lendas que Hitler utilizou-a de forma invertida para atrair forças mágicas, que segundo dizem, envolviam a onda mística que permeava o Partido Nacional Socialista e a Sociedade do Tule.

Por outro lado, vemos a intenção da pureza ariana no uso deste símbolo. Os nazistas defendiam que a suástica tinha sido implantada na Índia pelos povos arianos e que a própria relação de castas havia sido uma maneira de preservar a raça pura.

Desta forma, a simbologia originária foi praticamente destruída aos olhos do senso comum. Basta vermos uma suástica e já nos arrepiamos até o último fio de cabelo, lembrando dos nazistas e, agora, dos neonazistas. E em grande parte das vezes não podemos negar que esta influência anti-semitica, racista e homofóbica realmente exista. Porém, o julgamento apressado também pode ser preconceituoso.

Se observarmos a tatuagem de Marcelo Dourado, vemos um desenho japonês, um Samurai, onde em seu hakama (aquele saiote que usam) estão impressas, minimamente, as suásticas. Será que a intenção era nazista? Ou estava incluída numa cultura oriental?

De qualquer forma, no ocidente o símbolo tomou conotações completamente malévolas devido à indevida associação ao nazismo. Infelizmente, não podemos pretender esvaziar, de uma hora para outra, toda a significação que a suástica assumiu no ocidente; aliás, talvez nunca possamos. Esclarecimentos são importantes, mas talvez um pouco de empatia por aqueles que sofreram o jugo da indevida utilização deste símbolo seja, no mínimo, uma questão de bom senso.

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No video abaixo vemos a swastica na parede, atrás dos lutadores de Shorinji Kempo. No Japão o símbolo era utilizado pelos praticantes de Kempo devido sua ligação com o Budismo. Hoje em dia seu uso é mais restrito, pelo menos no ocidente não se usa mais.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

EXEMPLO NO SHORINJI KEMPO

Achei fantástica a proposta deste Sensei. Ele coloca a Arte Marcial a favor da comunidade.

Um grande exemplo!

DEMONSTRAÇÃO DE SHORINJI KEMPO NA CHINA

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Outro video de Shorinji Kempo

SHORINJI KEMPO

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

UMA RESPOSTA BRANDA…

m_aikido O trem avançava sacolejante pelos subúrbios de Tóquio naquela tranquila tarde de primavera. Nosso vagão estava relativamente vazio – apenas algumas donas-de-casa com seus filhos e algumas pessoas idosas que iam fazer compras.

Em uma estação, as portas se abriram e repentinamente a quietude da tarde foi destruída por um tipo que entrou gritando palavrões violentos e incompreensivelmente. Era um grandalhão que trajava roupas simples de operário mas estava sujo e bêbado. Gritando, ele esbarrou numa mulher que segurava um bebê. O golpe fez com ela girasse e fosse cair no colo de um casal idoso, mas por milagre o bebê não se feriu.

Aterrorizado, o casal mudou-se para o outro lado do vagão. O trabalhador apontou um chute para o traseiro da mulher que se afastava mas errou enquanto ela atingia uma distância segura. Isto de tal modo enfureceu o bêbado que ele agarrou com força o cano de metal no centro do vagão e tentou arrancá-lo de seu lugar. Pude ver que uma de suas mãos estava cortada e sangrando. Fique de pé.

Eu era muito jovem na época, cerca de 20 anos atrás, e estava em excelente forma física. Havia treinado oito horas de Aikidô quase que diariamente durante três anos. Eu gostava de saltar e lutar. Achava que era durão. O problema é que minha habilidade não havia sido testada em combate real. Como estudante de Aikidô, não nos era permitido lutar.

O Aikidô”, meu mestre havia dito muitas e muitas vezes, “é a arte da reconciliação. Qualquer um que tenha em mente lutar quebrou sua conexão com o universo. Se você tentar dominar as pessoas já estará derrotado. Nós estudamos como resolver um conflito, não como começá-lo”.

Eu ouvia suas palavras com atenção. Fazia o melhor que podia. Cheguei até mesmo a cruzar a rua para evitar lutar com uma gangue de punks que viviam nas redondezas das estações de trem. Minha impaciência me exaltava. Eu me sentia ao mesmo tempo durão e santo. Dentro de meu coração, no entanto, queria uma oportunidade absolutamente legítima de poder salvar o inocente destruindo o culpado.

Revista japonesa Kempo É agora! Disse a mim mesmo ao me levantar. As pessoas estão em perigo. Se eu não fizer algo rápido, alguém provavelmente vai sair ferido.

Ao me levantar, o bêbado percebeu uma chance de focalizar sua raiva. “Aha!” rosnou ele. “Como estrangeiro, você precisa de uma lição de boas maneiras japonesas!”

Segurei firme no apoio do vagão e lancei a ele um lento olhar de repugnância e desprezo. Meu plano era desmontá-lo, mas ele teria de fazer o primeiro movimento. Queria que ele ficasse maluco de raiva, então enruguei os lábios e joguei-lhe um beijo zombeteiro.

“Certo!” gritou ele. “Você vai ter uma lição”. Procurou firmar-se para me atacar.

Uma fração de segundo antes que pudesse se mover, alguém gritou “Hei!”. Foi ensurdecedor. Ainda me lembro da qualidade estranhamente jovial e cantante daquela voz. Era como se você e um amigo estivessem cuidadosamente procurando alguma coisa e repentinamente ele tropeçasse nela. “Hei!”.

Virei-me para a esquerda; o bêbado virou-se para a direita. Ambos fixamos o olhar em um velhinho japonês, que deveria ter bem uns setenta anos e era bem magrinho. Ali estava ele sentado, vestindo seu maculado kimono. Ele não tomou conhecimento de minha presença, mas olhava com encanto para o trabalhador, como se tivesse um importantíssimo, muitíssimo bem-vindo segredo a compartilhar.

Vem cá”, disse o velhinho em linguagem simples, acenando para o bêbado. “Vem conversar comigo” e acenou de leve com a mão.

O grandalhão acompanhou o gesto como se estivesse preso a um cordão. Plantou seus pés beligerantemente diante do cavalheiro e falou alto encobrindo o barulho das rodas do trem. “Para que devo falar com você?” O bêbado estava agora de costas para mim. Se seu cotovelo se movesse um milímetro eu o teria derrubado.

O velhinho continuava a se dirigir ao trabalhador. “Que é que você esteve bebendo?” perguntou com os olhos brilhando de interesse. “Estive bebendo sakê”, gritou de volta o trabalhador, “e não é nada de sua conta!”. Gotículas de saliva caindo sobre o velho.

“Oh, isto é maravilhoso”, disse o velho, “maravilhoso mesmo! Sabe, eu também adoro sakê. Todas as tardes eu e minha mulher (ela tem 76 anos, sabe), nós aquecemos um pequeno frasco de sakê e o levamos ao jardim e nos sentamos em um velho banco. Olhamos o sol se por e olhamos também como está indo nosso pé de caqui. Foi meu avô que plantou aquela árvore e ficamos preocupados sobre se ela conseguirá se recuperar das tempestades de neve que tivemos no inverno passado. Nossa árvore tem, no entanto, ido melhor do que eu esperava, especialmente se levarmos em conta a fraca qualidade do solo. É muito bom observar quando tomamos nosso sakê e quando saímos para aproveitar a tarde – até mesmo quando chove!” Ele olhava para o trabalhador com os olhos brilhando.

Enquanto lutava para acompanhar a conversa do velho, o semblante do bêbado começou a suavizar-se. Seus punhos lentamente se soltaram. “Sim”, disse, “adoro caquis também...” Sua voz se arrastou.

“Sim,” disse o velho sorrindo, “e tenho certeza que você tem uma esposa maravilhosa”.

“Não”, respondeu o trabalhador. “Minha esposa morreu”. Muito lentamente, balançando com o movimento do trem, o grandalhão começou a soluçar. “Eu não tenho esposa, não tenho lar, não tenho trabalho. Estou tão envergonhado de mim mesmo.” Lágrimas rolavam pelo seu rosto; um tremor de desespero percorreu seu corpo.

Agora era minha vez. Ali, de pé, na minha bem cuidada inocência, minha ideia de justiça, “vamos-tornar-este-mundo-seguro-para-a-democracia”, de repente me senti mais sujo do que ele.

O trem chegou em minha parada. Quando as portas se abriram, ouvi velho dizendo compassivamente. “Que pena, realmente isto é algo muito difícil”, disse ele, “sente-se aqui e me conte tudo”.

OSENSEI1 Virei a cabeça para um último olhar. O trabalhador estava sentado todo solto sobre o banco, com a cabeça no colo do velho. O velho suavemente tocava nos cabelos sujos e embaraçados.

Enquanto o trem partia, sentei-me em um banco. O que eu quis fazer com os músculos tinha sido realizado com palavras gentis. Eu acabara de ver o Aikidô testado em combate, e sua essência era o amor. Eu teria de praticar a arte com um espírito totalmente diferente. Muito tempo ainda se passaria antes que eu pudesse falar em resolução de conflitos.

Escrito por Terry Dobson, um americano que na década de 50 foi viver no Japão, treinando com o Fundador do Aikidô.

Referência

BÜLL, Wagner José. Manual técnico de Aikidô: adotado pelo Instituo Takemussu. São Paulo: Ícone, 1994.

Donnie Yen – Ator e Artista Marcial

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