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quinta-feira, 16 de junho de 2011

SOBRE O KI, A MENTE E A FORÇA FÍSICA

SOBRE O KI, A MENTE E A FORÇA FÍSICA
Guilherme Fauque[1]

Ki (ki ryoku), mente (shin ryoku) e, obviamente, a força física (tai ryoku) em si. Praticadas de forma harmônica, elas representam o ideal de equilíbrio, entre corpo e mente (shin shin ichinyo), exposto pelo Kaiso Doshin So.
Quando falamos em força, no Shorinji Kempo, somos levados a análise de três aspectos basilares que a compõem, formando um sistema triangular interdependente e complementar, que não limita a força ao seu aspecto unicamente físico, mas sim composto de

Certamente, como o sistema num todo, pensado por Doshin So nos  seus aspectos de Shorinji Kempo e Kongo Zen, a força trino não se resume unicamente ao aspecto marcial (Bu) do Shorinji Kempo, mas pode ser facilmente aplicado nas mais diversas nuances da convivência social na busca de uma vida harmônica no Caminho (Do) da plenitude.

Cada um destes três aspectos da força, por si só, dariam conteúdo suficiente para muitos textos, tão vasta e complexa pode ser a sua abordagem, indo da física à psicologia e a filosofia. Contudo, neste breve texto manteremos o foco tão somente no aspecto marcial, mesmo assim tendo a consciência de estarmos longe de esgotar o assunto.

A unidade da força mental, física e do Ki

Quando pensamos em força, naturalmente nos vem à mente tão somente a força física. Contudo, esta, por si só, não é suficiente num sistema marcial. É preciso, então, desdobrar a questão força nas suas nuances para que possamos melhor compreender sua complexidade.

O ser humano, dizia-nos o Kaiso, compõem-se, simultaneamente, de presença física e mental (shin shin ichinyo) e nem um, nem outro, devem ser dominantes, mas sim trabalhar em uníssono.

A força mental nos provém à percepção das movimentações de ataque e defesa. Se estivermos com a mente tranquila, durante um momento de defesa pessoal, a mente será capaz de perceber um movimento de ataque em nossa direção, de modo a poder agir defensivamente. Para se executar corretamente o Ma’ai temos que ter o conhecimento das técnicas e isso faz parte da nossa capacidade mental de reter e assimilar estas técnicas.

Entretanto, ao termos a percepção das movimentações de ataque e defesa, precisamos do trabalho do corpo (tai) para aplicarmos a técnica. Ora, para isso o corpo físico deve estar bem preparado, saudável, apto a realização correta da técnica. Assim, temos mente e corpo trabalhando em conjunto.

Todavia, ainda resta um terceiro aspecto da força que é fundamental, o Ki. É de grande complexidade querer definir o Ki, visto que as palavras ocidentais não conseguem abranger na sua total extensão o que este significa. No entanto, para nosso intento é suficiente dizer que o Ki é uma energia que aflora do corpo dando a pessoa o que podemos chamar de “espírito de luta”. Alguns o chamam de “energia interior”, “energia intrínseca”, “força de vontade”. Enfim, a grande dificuldade do ocidental em entender o Ki está na sua estrutura rígida e cartesiana de separar mente e corpo, como se fossem duas entidades distintas, quando, para o oriental, mente e corpo formam uma unidade. Desta forma, o Ki fluiria do corpo como uma força mental e intrínseca.

Assim, num momento de defesa pessoal, precisaríamos da força mental que percebe a movimentação e detém o conhecimento, da força física para aplicar o movimento de defesa e contra-ataque e a força interna para realizar a ação, tudo num só aspecto, atrelando mente, força física e ki num único movimento de união da mente e do corpo (shin shin ichinyo).

Dentro destes aspectos e já pensando na integralidade trino destas forças, o Tokuhon ainda nos fala de happo moku, kan, heijoshin e zanshin.

Happo moku seria o uso dos olhos durante o embate físico. Através dos olhos podemos perceber as intenções do oponente. Desta feita, o Shorinji Kempo enfatiza a importância de se olhar o perímetro sem mudança de olhar. Ou seja, ser capaz de ler os movimentos dos oponentes e os locais corretos de contato sem desviar o olhar.

Outro aspecto é o Kan ou intuição. Durante os treinamentos de Randori fica evidente o quanto o momento de defesa e contra-ataque é fugidio. A decisão tem que ocorrer num átimo. Não há tempo para raciocinar, ponderar e descobrir qual é a melhor defesa ou ataque. Desta forma, a intuição, como um aspecto instintivo do momento, torna-se fundamental.

Temos também o que é chamado, em japonês, de heijoshin. Nos diversos momentos da vida somos afetados pelo ambiente que nos rodeia. Aliás, esta própria interação com o meio que nos cerca é que nos forma como seres humanos. Contudo, estas interações nem sempre nos trazem emoções tranqüilizadoras. Pelo contrário, é muito comum sermos pressionados pelo meio que vivemos de forma a apresentar determinados resultados. Assim, é importante que o Kenshi desenvolva diariamente um sentimento interior de coragem para que, nos diversos momentos de desafios da vida, não sinta medo ou confusão, de forma a afetar seu Ki, mantendo um estado natural de calma. Isto é o heijoshin e é algo que o praticante irá desenvolver gradualmente com o treino regular do Shorinji Kempo.

Por fim, temos o Zanshin, ou seja, a capacidade de manter a mente em vigilância resoluta. Falando no aspecto marcial, digamos que imobilizemos um agressor. Embora estando no controle momentâneo, tem que se estar atento para um revés num momento de desatenção. Como uma cobra em total ausência de movimentos um pouco antes de dar o bote, o oponente pode estar fingindo uma rendição para logo voltar a atacar. Por isso é importante estar empenhado física e mentalmente numa vigilância absoluta.

Observando todos estes aspectos compreendemos a importância do equilíbrio entre mente, força física e Ki no desenvolvimento do Kenshi, seja no aspecto marcial, mas também na própria vida.

[1] Texto desenvolvido para o exame de 2° kyu de Shorinji Kempo

7 comentários:

SueC disse...

Excellent post! You encapsulate well the need for mind,body,spirit unity in the martial arts. Very clearly explained (even after translation!)

Guilherme Fauque disse...

Hi Sue!

Thank you a lot for your presence here!

This translator of Google is not very good, isn't? Sometime I've no time to write all the text in English, therefore I put the translator to give a help.

Again, thank you a lot for your presence here.

jc disse...

very nice post... thoughtful and makes a lot of sense--unity in threes... the pyramid!

Guilherme Fauque disse...

Yeah JC. The pyramid was an interesting image that came to me, like a "law of triangle". This a common theory in various esoteric traditions and can be approximated with some Buddhist theories as well.

SueC disse...

On the contrary - the translator is very good so there is no need for you to try and write everything in English as well.

Guilherme Fauque disse...

Good know this... lol

www.ChiCha.in disse...

hii.. Nice Post

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